As units da Localiza (RENT3) registraram desvalorização de 5,90% às 14h25 (horário de Brasília) nesta quinta-feira (5), negociadas a R$ 47,39, enquanto as ações ordinárias (RENT4) recuavam 5,84% para R$ 45,15. O movimento ampliou as perdas em um pregão já adverso para o Ibovespa, impulsionado pelo rebaixamento da recomendação pela UBS BB, de compra para neutra, com preço-alvo elevado de R$ 50 para R$ 55.

Rebaixamento reflete preço justo atual

A UBS BB considera que os papéis da Localiza negociam em patamares adequados aos fundamentos vigentes, justificando a mudança na recomendação. O novo preço-alvo de R$ 55 sinaliza potencial de valorização moderada em relação aos níveis atuais, mas sem convicção para manutenção da visão de compra anterior.

Ciclo de afrouxamento monetário como suporte

Um fator de suporte reside na expectativa de redução das taxas de juros, com impacto benéfico nos lucros e na alavancagem financeira da companhia. Especificamente, uma queda de 100 pontos-base (equivalente a 1 ponto percentual) na taxa Selic poderia adicionar cerca de R$ 150 milhões aos resultados operacionais. Contudo, a depreciação — perda de valor dos veículos ao longo do tempo na frota própria — permanece como o risco dominante.

Nova onda de veículos chineses pressiona depreciação

Para 2026, projeta-se o lançamento de cerca de 70 novos modelos e a chegada de oito montadoras chinesas adicionais ao mercado brasileiro, oferecendo descontos de 15% a 20% frente aos concorrentes estabelecidos. Essa dinâmica representa não só um desafio cíclico, mas uma alteração estrutural nos preços do setor automotivo.

Desde o quarto trimestre de 2025, montadoras chinesas com parcerias locais já introduzem veículos mais acessíveis, pressionando as tradicionais a reajustes defensivos. Embora os índices de preços de usados da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) ainda não incorporem plenamente esses efeitos, a tendência aponta para aceleração da depreciação, similar à vivida na China, onde a perda em três anos saltou de 30% para 50%.

Na divisão RaC (Rent a Car, locação de veículos), a depreciação atual situa-se em torno de 9%, com spread — diferencial entre preço de aquisição e valor de revenda — de aproximadamente 13%. As projeções atuais indicam spreads negativos de -4,3% a -8,3%, variando conforme a idade do veículo (15 a 21 meses). O mercado, todavia, embute spreads de -2% a -4% já em 2027, enquanto a UBS BB antecipa -6% nesse ano, com normalização posterior em -4%.

IndicadorValor AtualProjeção (15-21 meses)Mercado 2027UBS BB 2027
Depreciação RaC9%---
Spread13%-4,3% a -8,3%-2% a -4%-6%

O que isso significa para o investidor

Para o portfólio de investidores pessoa física, o rebaixamento reforça a necessidade de monitorar a interação entre o ciclo de juros e a dinâmica setorial. Um afrouxamento da Selic favorece a alavancagem, mas pressões inflacionárias ou atrasos na queda de juros — influenciados pelo IPCA e cenário externo — podem neutralizar ganhos. A proximidade do preço-alvo à cotação atual sugere valuation equilibrado, demandando atenção a catalisadores como estabilização de preços novos versus usados.

Riscos em destaque

  • Intensificação da depreciação por veículos chineses mais baratos, com impacto pontual no curto prazo e estrutural no médio/longo, incluindo maior penetração de elétricos e híbridos plug-in.
  • Persistência de spreads negativos além do precificado pelo mercado, limitando surpresas positivas nos resultados da Localiza.
  • Atraso na estabilização de preços de veículos novos, adiando ajustes nas guidance de depreciação divulgadas pela companhia.

A companhia planeja observar maior clareza nos preços de carros zero-quilômetro antes de rever suas estimativas de depreciação. Investidores devem acompanhar indicadores da FIPE, lançamentos automotivos em 2026 e reuniões de resultados para avaliar se as pressões se materializam ou se o ciclo de juros compensa eventuais fraquezas operacionais.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.