A Movida Participações S.A. (B3: MOVI3) divulgou na manhã desta terça-feira (16/07) seus resultados preliminares do segundo trimestre de 2026 (2T26). O lucro líquido mais que dobrou, alcançando R$ 135,6 milhões, o maior patamar em quatro anos. O desempenho superou a própria guidance da empresa (R$ 110 mi a R$ 130 mi) e ficou 15% acima do consenso de mercado, refletindo uma execução estratégica consistente mesmo em um ambiente de juros elevados.
Principais indicadores do 2T26
A locadora apresentou crescimento generalizado em suas principais métricas operacionais e financeiras:
- Lucro Líquido: R$ 135,6 milhões (mais que o dobro dos R$ 68 milhões do 2T25).
- Receita Bruta Total: R$ 4 bilhões, com destaque para a receita de locação, que atingiu o recorde de R$ 2,6 bilhões (+21% ante o mesmo período do ano passado).
- EBITDA: R$ 1,7 bilhão, expansão de 22% em relação ao 2T25. (O EBITDA mede a geração de caixa operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
- EBIT: Ultrapassou pela primeira vez a barreira de R$ 1 bilhão, com alta de 29%.
- Vendas de Veículos (RAC): A estratégia focada na venda de usados da frota de aluguel resultou em 19,4 mil unidades comercializadas, mantendo a margem EBITDA de seminovos estável em 1%.
Superação da sazonalidade e cenário macroeconômico
Um dos destaques do trimestre foi a quebra de um padrão histórico: pela primeira vez em cinco anos, o resultado do segundo trimestre superou o do primeiro. O setor de mobilidade e locação de veículos tradicionalmente registra maior volume no início do ano, impulsionado pela alta demanda do verão e férias. O feito ocorreu mesmo com a taxa básica de juros (Selic) operando em patamar médio elevado, próximo a 14,5% ao ano, e após uma elevação acumulada de cerca de 2 pontos percentuais entre 2022 e 2026.
A gestão atribui a trajetória de crescimento aos avanços em eficiência operacional, disciplina financeira e à melhoria contínua na qualidade dos serviços, fatores que vêm alavancando os indicadores de rentabilidade e a criação de valor para o acionista.
O que muda para investidores
O desempenho preliminar da Movida (MOVI3) sinaliza uma recuperação sólida das margens e uma gestão financeira mais resiliente à pressão do custo da dívida. A superação da guidance de lucro líquido e a quebra da sazonalidade negativa entre 1T26 e 2T26 podem reforçar a confiança do mercado no plano de reestruturação e expansão da companhia.
Para o mercado, os próximos passos incluem a observação da consistência da margem de seminovos (estável em 1%) e a capacidade da empresa de sustentar a geração de caixa operacional (EBITDA) acima de R$ 1 bilhão nos próximos trimestres. Os números divulgados hoje são preliminares e não auditados, sujeitos a ajustes até a divulgação oficial do relatório trimestral completo. A publicação do balanço definitivo e as perspectivas revisadas para o ano devem ser acompanhadas de perto.
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