R$ 409 milhões já injetados pelo BNDES na Cosan, US$ 33,5 milhões em juros vencidos esta semana, 33,7% de queda no preço das ações da Raízen nos últimos 12 meses. Esses números revelam a dramática crise financeira enfrentada pela maior produtora de açúcar e etanol do Brasil, que mobilizou uma reunião de emergência com o presidente Lula, ministros e executivos das controladoras Cosan (CMIG4) e Shell no início de fevereiro.
Audiência presidencial e negociações em andamento
Realizada em Brasília antes do Carnaval, a reunião contou com participação do ministro Fernando Haddad, do BNDES (presidido por Aloizio Mercadante) e do BTG Pactual. Apesar da Petrobras negar envolvimento, fontes indicam que foi discutida a possibilidade de compra de ativos estratégicos da Raízen pelo conglomerado estatal. As negociações evoluíram em Londres e São Paulo, com propostas de capitalização apresentadas por Shell e BTG.
| Entidade | Ação/Contribuição | Impacto financeiro |
|---|---|---|
| BNDES | Investimento prévio na Cosan | R$ 409 milhões |
| Raízen | Pagamento de juros de bonds em dólar | US$ 33,5 milhões |
| Agências de rating | Rebaixamento de classificação | Papeis negociados a 20% abaixo de valor nominal |
BNDES sob pressão e resistência técnica
Embora a Cosan tenha solicitado apoio adicional ao banco de fomento, analistas internos do BNDES manifestam preocupação com o aumento da exposição à empresa diante da deterioração de seu perfil de crédito. A equipe econômica condiciona qualquer ajuda pública à apresentação de um plano de capitalização estruturado, que inclua desinvestimentos e reestruturação da dívida.
O que isso significa para o investidor
Três cenários emergem para acionistas da Raízen (RAIZ4): (1) Capitalização bem-sucedida com emissão de novas ações, diluindo participações existentes; (2) Venda de ativos estratégicos para petroleiras, alterando perfil do negócio; (3) Recuperação judicial formal, com impacto negativo direto nas ações. No curtíssimo prazo, a liquidez permanece o principal problema, com necessidade de refinanciamento de US$ 3,2 bilhões em dívida corporativa até 2027.
O contexto macroeconômico brasileiro também afeta diretamente as negociações. Com a Selic mantida em 10,75% e o dólar volátil em R$ 5,20 ante real, os custos de financiamento externo da Raízen continuam elevados. O setor de etanol depende ainda dos preços internacionais do açúcar (cotado a 22,3 cents/lb na ICE Futures) e da política de subsídios públicos aos biocombustíveis.
Riscos associados
- Não cumprimento de pagamento de dívida remanescente
- Diluição excessiva em nova rodada de investimentos
- Rompimento de relações com parceiros estratégicos
- Retração do mercado global de biocombustíveis
Próximos passos
Investidores devem monitorar o cronograma de negociações com credores, com prazo limite para apresentação do plano de recapitalização em 30 de abril, além da divulgação dos resultados do trimestre encerrado em março, prevista para 8 de maio. O comportamento do preço do açúcar na bolsa de Nova York e as decisões do Comitê de Política Monetária em junho também atuarão como catalisadores importantes.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
