O superávit primário do governo central de R$86,9 bilhões em janeiro, inferior às projeções do mercado, deflagrou movimentos significativos nos mercados brasileiros. Paralelamente, o dólar comercial recuou a R$5,135 e os juros futuros ajustaram patamares, com o DI1F27 encerrando em 13,220%, reforçando expectativas de estabilidade no ciclo da Selic. No exterior, o avanço de até 1,05% no Nasdaq alimentou otimismo com o balanço da Nvidia.
Mercado Cambial e Juros no Radar
A moeda norte-americana encerrou a quarta-feira com queda de 0,41% frente ao real, revertendo trajetória observada em pregões anteriores. O índice DXY, que acompanha o dólar contra uma cesta de moedas, avançou a 97,98 pontos, sugerindo demanda contínua pelo dólar em escala global. No mercado brasileiro, contratos futuros de juros tiveram recuo generalizado, com destaque para o DI1F35, que recuou 5,5 pontos base, negociado 13,275%:
| Ativo | Taxa do Dia | Variação (pb) |
|---|---|---|
| DI1F27 | 13,220% | -1,5 |
| DI1F28 | 12,490% | -2,5 |
| DI1F35 | 13,275% | -5,5 |
As receitas liquidadas do governo federal cresceram 1,2% em termos reais frente a janeiro de 2025, totalizando R$272,785 bilhões, enquanto despesas totais subiram 2,9%, somando R$185,885 bilhões. Esses números indicam pressão contínua sobre as contas públicas, especialmente com a escalada dos juros básicos.
Desempenho dos Índices Futuros
Os futuros do Ibovespa subiram até 1,12%, com o contrato principal negociado a 197.230 pontos, enquanto o Mini-índice (WINJ26) registrou alta de 0,83% no início do pregão. Na B3, setores de energia e consumo lideraram as altas, impulsionados pelos dividendos da Isa Energia (R$279 milhões) e por otimismo com o cenário regulatório. No exterior, os índices futuros dos EUA mantiveram trajetória positiva, com o Nasdaq Futuro avançando 0,23%.
Investidores repercutiram as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre contribuições de US$1.000 para contas de aposentadoria privadas, medida que pode ampliar a exposição dos trabalhadores ao mercado acionário. A promessa veio acompanhada de alertas sobre ações iranianas, com Trump indicando preparação militar no Oriente Médio caso Teerã avance em seu programa nuclear.
Combustíveis e Setor Industrial
Após 296 dias sem reajuste no diesel e 30 dias na gasolina, a Petrobras (PETR3/PETR4) mantém preços 16% abaixo da paridade internacional nos postos brasileiros. O diesel S10 registra preço médio de R$5,20, enquanto a gasolina A está cotada a R$4,00. A Abicom alerta que essa defasagem pode reduzir a rentabilidade da estatal e limitar investimentos em infraestrutura.
Na ponta produtiva, a MBRF anunciou injeção de R$300 milhões em FIDC para financiar fornecedores da BRF no Paraná, estratégia que visa fortalecer a cadeia agroindustrial. Paralelamente, o setor de minério de ferro (+1,42%) e petróleo (Brent a US$71,00) operam em alta, refletindo expectativas de retoma na demanda chinesa pós-Lunar New Year.
O que isso significa para o investidor
O cenário atual apresenta dilemas para investidores PF brasileiros: por um lado, a manutenção do superávit primário, mesmo abaixo do esperado, sugere disciplina fiscal que pode segurar pressões inflacionárias. Por outro, o patamar elevado dos juros reais (13,22% DI1F27) limita o horizonte para ativos de risco. A volatilidade cambial (móvel R$5,13-R$5,15) e geopolítica (tensões EUA-Irã) torna recomendável a manutenção de proteção em ativos defensivos.
Para quem opera day trade, oportunidades surgem nos spreads de curto prazo: o Mini-Dólar (WDOH26) opera com baixa de 0,38%, enquanto o Bitcoin Futuro (BITFUT) sobe 2,27%, testando patamares técnicos. Aconselha-se atenção para o vencimento dos contratos futuros na próxima sexta-feira (27/02) e para a decisão do Copom sobre a Selic na terceira semana de março.
Riscos
- Escalada nas tensões comerciais EUA-China após anúncio de novas tarifas sob a cláusula 301
- Redução nas margens da Petrobras caso paridade internacional persista
- Pressão sobre ativos cíclicos globais mediante desaceleração da economia alemã (+0,3% no Q4 2025)
- Elevado múltiplo do Nasdaq diante de expectativas agressivas para resultados de techs como a Nvidia
Perspectiva e Próximos Passos
Os próximos 30 dias serão decisivos: a divulgação dos balanços da Nvidia após o fechamento (previstos com crescimento de 62% no lucro) e os leilões de combustíveis da Petrobras, previstos para março, devem ditar o tom dos mercados. No Brasil, os investidores acompanharão o desempenho do setor exportador com atenção, ante o risco de novas tarifas do presidente Donald Trump sobre o Brasil. A Suprema Corte dos EUA também retoma o debate sobre a constitucionalidade das tarifas presidenciais, decisão que impactará diretamente as relações comerciais globais.
