A Minerva (BEEF3), consolidada como a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, reportou um lucro líquido recorde de R$ 848,3 milhões no acumulado de 2025. O desempenho representa uma reversão histórica frente ao prejuízo superior a R$ 1,5 bilhão registrado em 2024. Apenas no quarto trimestre de 2025, a companhia lucrou R$ 85 milhões, superando as estimativas médias dos analistas de mercado e consolidando um ano de forte expansão operacional após a integração de novas plantas produtivas.

Desempenho Financeiro e Operacional em 2025

O salto nos resultados financeiros da Minerva é reflexo direto da consolidação das aquisições de unidades que pertenciam à concorrente Marfrig (atual MBRF – MBRF3). Com esse movimento estratégico, a companhia elevou seu parque fabril de 26 para 38 unidades produtivas, a maior parte localizada em território sul-americano. Essa escala permitiu uma diluição mais eficiente de custos fixos e despesas administrativas, otimizando as margens operacionais em um ano de alta demanda externa.

O EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), indicador essencial para medir a capacidade de geração de caixa operacional, atingiu R$ 1,17 bilhão no quarto trimestre de 2025, uma expansão de 24,1% na comparação anual. No fechamento do ano, o indicador marcou o recorde de R$ 4,8 bilhões, crescendo 54,1% sobre 2024.

Métrica Financeira4º Trimestre 2025Acumulado 2025Variação Anual (EBITDA)
Lucro LíquidoR$ 85 milhõesR$ 848,3 milhõesReversão de Prejuízo
EBITDAR$ 1,17 bilhãoR$ 4,8 bilhões+ 54,1%
Proposta de DividendosR$ 30,8 milhõesR$ 192,9 milhões*Total do Exercício

*Inclui valores antecipados e complementares propostos.

Dividendos e Retorno ao Acionista

A diretoria da Minerva propôs a distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 30,8 milhões. Esta parcela será submetida à aprovação em Assembleia Geral Ordinária agendada para abril de 2026. Ao considerar os proventos já antecipados ao longo do ano, a distribuição total relativa ao exercício de 2025 somará R$ 192,9 milhões. A estratégia reforça o compromisso da empresa em equilibrar o crescimento via aquisições com a remuneração aos investidores, mesmo em períodos de intensa integração de ativos.

Cenário Desafiador para 2026

Apesar do otimismo com os números recordes, a administração da Minerva adotou um tom cauteloso para o próximo ciclo. O CFO (Diretor Financeiro) da companhia, Edison Ticle, destacou que o primeiro trimestre de 2026 já apresenta volatilidades acentuadas. Entre os fatores de pressão, destacam-se a instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a elevação dos custos logísticos atrelados ao petróleo, que encarecem o transporte marítimo global.

“Dependendo do que acontecer, devemos ter um ano de 2026 realmente pior do que em 2025”, afirmou Ticle, referindo-se à pressão de custos advinda do ciclo do gado — fenômeno econômico que alterna períodos de maior ou menor oferta de animais para abate.

No mercado internacional, a China implementou uma política de salvaguardas (medidas de proteção comercial) que impõe tarifas adicionais de 55% para importações de carne bovina brasileira que excederem a cota anual de aproximadamente 1 milhão de toneladas. Embora o Brasil enfrente essa barreira, a Minerva pretende mitigar o impacto utilizando suas plantas na Argentina, Uruguai e Colômbia, que não sofrem as mesmas restrições tributárias para o mercado chinês.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, os resultados da Minerva demonstram uma execução robusta da estratégia de arbitragem — técnica de capturar valor através da diferença de preços e custos entre diferentes geografias. A diversificação regional na América do Sul atua como um hedge (proteção) natural contra riscos sanitários ou barreiras comerciais específicas de um único país.

O cenário macroeconômico, contudo, exige atenção. A pressão de custos no frete internacional e a política comercial chinesa são variáveis que podem comprimir as margens em 2026. Por outro lado, o déficit global na oferta de carne, com menor produção esperada nos EUA e Austrália, pode sustentar os preços de venda em patamares elevados, equilibrando parcialmente os custos operacionais crescentes.

Riscos Identificados

  • Barreiras Tarifárias: A adoção de tarifas de 55% pela China sobre o excedente da cota brasileira limita o potencial de crescimento no principal destino de exportação.
  • Ciclo Pecuário: Uma possível redução na oferta de gado pode elevar o preço da matéria-prima, pressionando as margens brutas da companhia.
  • Geopolítica e Logística: Conflitos no Golfo Pérsico afetam rotas marítimas, elevando os custos de frete, mesmo que o volume de vendas direto para a região afetada represente menos de 7% das exportações.
  • Custos de Energia: A alta do petróleo impacta diretamente as despesas logísticas e de transporte das unidades produtoras.

Perspectiva e Próximos Passos

O mercado deve monitorar de perto a Assembleia de abril, onde a aprovação definitiva dos dividendos complementares será ratificada. Além disso, a capacidade da Minerva em redirecionar o fluxo de exportações para os Estados Unidos — mercado com potencial de crescimento significativo segundo o CEO Fernando Queiroz — será um catalisador importante para compensar as restrições na China. A evolução dos custos logísticos no primeiro trimestre servirá como termômetro para a viabilidade das margens operacionais ao longo de 2026.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.