As ações da MRV (MRVE3) registraram queda de 7,31% por volta das 11h desta segunda-feira (9), negociando a R$ 8,70 com baixa de 6,45% às 12h03, mesmo com números da incorporação no Brasil superando as expectativas dos analistas.
Resultados operacionais da MRV Incorporação
A unidade principal do grupo, que engloba as marcas MRV e Sensia, reportou lucro líquido ajustado de R$ 268 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25). No consolidado, o lucro líquido atingiu R$ 117 milhões, valor próximo ao consenso de mercado, embora abaixo da projeção do JPMorgan. O lucro líquido ajustado consolidado chegou a R$ 41 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 250 milhões visto no 4T24 e melhorando ante o rombo de R$ 83 milhões no terceiro trimestre (3T25).
Desempenho das ações e pressão dos juros futuros
A desvalorização do papel ocorreu apesar das expectativas de reação neutra dos investidores, agravada pela elevação nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que afetam o setor de construção. Na manhã do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 subiu para 13,395%, ganho de 23 pontos-base em relação aos 13,17% do ajuste anterior. Para janeiro de 2035, a marca foi de 14,04%, com alta de 18 pontos-base ante 13,856%.
| Contrato DI | Taxa atual (%) | Ajuste anterior (%) | Variação (pb) |
|---|---|---|---|
| Janeiro/2028 | 13,395 | 13,17 | +23 |
| Janeiro/2035 | 14,04 | 13,856 | +18 |
Geração de caixa com melhora significativa
A operação gerou caixa de R$ 174,8 milhões no 4T25, excluindo vendas de recebíveis (instrumentos de financiamento via titulação de créditos), superando amplamente os R$ 1,9 milhão do trimestre anterior. Analistas do Bradesco BBI enfatizam a necessidade de comprovar a recorrência desse fluxo de caixa livre, influenciado por recebíveis e transferências de programas habitacionais estaduais.
Desafios na subsidiária Resia
A operação nos Estados Unidos, Resia, acumulou prejuízo de R$ 110 milhões no período, menor que os R$ 237 milhões do 4T24 e os R$ 83 milhões do 3T25. As vendas de ativos somaram US$ 167 milhões do total previsto de US$ 800 milhões, parte do plano de desinvestimento para redução de endividamento.
| Indicador Resia | 4T24 (R$ mi) | 3T25 (R$ mi) | 4T25 (R$ mi) |
|---|---|---|---|
| Prejuízo | 237 | 83 | 110 |
Alavancagem líquida em ascensão
A relação dívida líquida sobre patrimônio líquido (indicador de endividamento) avançou de 0,50 para 0,56, o segundo patamar mais elevado desde o 1T23. Despesas financeiras pesaram no resultado final, mantendo a desalavancagem como prioridade, com a Resia como peça-chave no processo.
Visões dos analistas de mercado
O JPMorgan vê continuidade no turnaround (reestruturação operacional) da companhia e mantém recomendação Overweight (posição acima da média do portfólio). O Bradesco BBI preserva indicação de compra. Morgan Stanley destaca sinais positivos, mas cobra comprovação de sustentabilidade na recuperação, gestão de caixa e redução na dependência de securitização de recebíveis. Goldman Sachs alerta para o aumento gradual da alavancagem e mantém neutra, com foco na Resia.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física exposto ao setor imobiliário na B3, os números indicam recuperação no core business brasileiro, mas sensibilidade a movimentos da Selic e curva de juros futuros pode amplificar volatilidade. Cenário otimista depende de geração de caixa recorrente e avanço nos desinvestimentos da Resia; pessimista surge com persistência da alavancagem e juros elevados pressionando margens. Monitorar dinâmica de inflação (IPCA) e câmbio, que afetam custos de funding externo.
Riscos
- Alavancagem elevada, com dívida líquida/patrimônio em 0,56, sensível a juros altos.
- Dependência de securitização de recebíveis e programas habitacionais para caixa.
- Execução lenta no desinvestimento da Resia (apenas US$ 167 mi de US$ 800 mi).
- Despesas financeiras impactando lucro consolidado.
- Volatilidade nos juros futuros DI, elevando custo de capital no setor.
O diretor financeiro Ricardo Paixão projeta cenário mais favorável para 2026 ante o ano anterior. Investidores devem acompanhar a sustentabilidade da geração de caixa, progresso na Resia e indicadores de alavancagem nos próximos balanços, além da temporada de resultados do 4T25 na Bolsa brasileira.
