A Natura Cosméticos S.A. (B3: NTCO3) anunciou nesta quarta-feira (2), via Fato Relevante, a aprovação de um novo programa de recompra de ações, com vigência a partir de 3 de julho de 2026 e validade de 12 meses. A iniciativa reforça a estratégia da companhia de otimizar sua estrutura de capital, sinaliza confiança na geração de caixa e visa maximizar o retorno aos acionistas por meio da redução do free float e do suporte à cotação. No mesmo comunicado, a empresa formalizou o encerramento do ciclo iniciado em julho de 2025, no qual adquiriu 5.562.500 papéis.

Principais características do novo ciclo

Sob os novos termos, a NTCO3 poderá adquirir até 28.603.908 ações ordinárias de sua própria emissão. Esse volume representa até 2,1% do total de ações da empresa e 3,4% das ações em circulação (que somam 837.927.864 papéis). Atualmente, a companhia detém 323.179 ações em tesouraria.

As operações ocorrerão na B3 (B3SA3), exclusivamente a preço de mercado. A administração terá discricionariedade para definir o momento e o volume de cada operação, seja em pregões únicos ou fracionados, respeitando os limites da Resolução CVM 80. As ações recompradas poderão permanecer em tesouraria, ser bonificadas, alienadas posteriormente ou canceladas sem redução do capital social. Além disso, parte dos títulos poderá ser alocada para liquidação de planos de incentivo, como opções de compra e ações restritas (RSUs).

A recompra será lastreada pelas reservas de capital da empresa. A diretoria reforçou que não utilizará lucros projetados e que a saúde financeira e o pagamento do dividendo obrigatório não serão afetados. O programa anterior resultou na aquisição de mais de 5,5 milhões de papéis, agora aptos a serem utilizados para incentivos corporativos ou mantidos em caixa.

Intermediação no mercado

As operações na bolsa serão executadas por um pool de instituições financeiras: Itaú Corretora de Valores, Morgan Stanley, Citigroup Global Markets Brasil e Santander Corretora. A Natura mantém a flexibilidade de contratar novas corretoras, se necessário, mediante a devida comunicação aos reguladores e ao mercado.

O que muda para investidores

Programas de recompra (buybacks) são mecanismos de alocação de capital excedente que, ao reduzirem a oferta de ações no mercado, tendem a elevar métricas fundamentais como o Lucro por Ação (LPA) e fortalecer a governança corporativa. Para o acionista da NTCO3, a medida traz três implicações diretas:

  • Estímulo à liquidez e preço: a demanda recorrente da própria companhia no pregão oferece um colchão de compra e pode mitigar volatilidades de curto prazo.
  • Proteção contra diluição patrimonial: o uso das ações em tesouraria para quitar planos de benefícios impede a emissão de novos papéis, preservando a fatia de participação dos acionistas atuais.
  • Indicador de disciplina financeira: ao financiar a operação com reservas consolidadas e manter intactos os dividendos obrigatórios e as dívidas com credores, o conselho administrativo valida a solidez do fluxo de caixa e a maturidade na gestão do capital.

A Natura se comprometeu a manter o mercado informado sobre o cronograma e os volumes adquiridos. O programa terá encerramento definitivo em 2 de julho de 2027.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.