A Natura Cosméticos S.A. (NTUB3/NATU3) informou nesta terça-feira (08/07/2026), por meio de fato relevante, que a receita líquida consolidada do segundo trimestre deve oscilar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões. O intervalo representa uma retração de 9% a 10% na comparação anual, impulsionada pela combinação de consumo doméstico desaquecido, gargalos na cadeia de suprimentos e ajustes operacionais e comerciais. Apesar da pressão no faturamento, a administração antecipa expansão sequencial na margem EBITDA.

Fatores que pressionaram o faturamento no Brasil

De acordo com o documento, a magnitude da queda na receita brasileira superou as projeções iniciais devido a cinco vetores estruturais:

  • Escassez de produtos: Estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado, atualização do SAP e transferência de volumes da fábrica de Interlagos, encerrada recentemente.
  • Queda no canal de venda direta: A falta de estoque, somada ao cenário macroeconômico, reduziu a atividade e a produtividade das consultoras (comparação ano contra ano).
  • Regras comerciais online: Harmonização de preços e regras entre canais para viabilizar o crescimento futuro do D2C, o que freou temporariamente as vendas digitais.
  • Transição de franquias: Migração total para contratos baseados em vendas ao consumidor final (sell-out), gerando desestocação nas lojas e recuo nas vendas para franqueados (sell-in).
  • Descasamento tributário: Mudanças no ICMS-ST em São Paulo concentraram um impacto negativo no período.

Rentabilidade e mercado internacional

Embora o top line tenha recuado, a companhia espera melhora na margem EBITDA no trimestre, alavancada por menores despesas com rescisões e ganhos de eficiência do novo modelo operacional. A melhora na rentabilidade compensa parcialmente o efeito da desalavancagem operacional. No plano internacional, todos os países da região Hispânica mantiveram crescimento positivo em moeda constante, sinalizando resiliência fora do mercado brasileiro.

Iniciativas estratégicas em andamento

A diretoria detalhou quatro frentes para recuperar o desempenho no curto e médio prazo:

  • Reconfiguração da cadeia de suprimentos (supply chain), com ganhos esperados a curto prazo.
  • Ajustes nos incentivos da força de vendas e foco em comunicação regionalizada e categorias de alto giro.
  • Expansão para novos marketplaces e aceleração da “Minha Loja”, plataforma digital das consultoras.
  • Retomada acelerada da abertura de novas unidades franqueadas sob o modelo contratual revisado.

O que muda para investidores

As informações divulgadas são preliminares e não auditadas, sujeitas a revisão durante o fechamento contábil. A Natura (NTUB3) entrará em período de silêncio a partir de 12 de julho, restringindo novas divulgações até o anúncio oficial dos resultados do 2T26, agendado para 10 de agosto de 2026. A empresa reforçou que o comunicado não a compromete com guidance formal futuro e está alinhada às práticas de fair disclosure. O mercado deve aguardar o balanço definitivo para confirmar a eficácia das reestruturações e a sustentabilidade da recuperação da margem.

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