A Natura Cosméticos S.A. (B3: NTCO3) anunciou, nesta quinta-feira (19), a conclusão da venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. A transação, avaliada em 2,52 bilhões de rublos (aproximadamente € 26,9 milhões ou R$ 145 milhões na cotação atual), marca o fim de um ciclo de desinvestimentos da美妆gigante brasileira no país europeu.

Os recursos da operação foram integralmente recebidos pela companhia em 17 de fevereiro de 2026. O movimento confirma o compromisso da diretoria em enxugar a estrutura global da empresa, eliminando exposição a mercados de alta volatilidade geopolítica e concentrando esforços em regiões de crescimento mais previsível.

Detalhes da Transação e Estratégia Corporativa

A venda foi executada pela subsidiária indireta integral da Natura, a Avon Netherlands Holdings II B.V.. Segundo o Fato Relevante divulgado, o valor foi convertido utilizando a taxa de câmbio de 1 RUB = 0,01068 EUR. Para a gestão da Natura, liderada financeiramente por Silvia Vilas Boas, Diretora de Relações com Investidores, este não é apenas um negócio isolado, mas a peça final de um quebra-cabeça estratégico.

A operação concretiza a estratégia de simplificação corporativa da Natura. Ao se desfazer definitivamente dos ativos russos, a companhia busca:

  • Reduzir riscos operacionais e regulatórios associados ao cenário russo;
  • Otimizar o fluxo de caixa para aplicações em mercados centrais;
  • Consolidar o foco estratégico no crescimento robusto de seus negócios na América Latina.

O que muda para investidores

Para os acionistas da NTCO3, a notícia traz clareza sobre o perímetro futuro da companhia. A saída definitiva da Rússia elimina uma fonte recorrente de incerteza nos balanços trimestrais, permitindo que o mercado avalie a performance da Natura com base apenas em suas operações principais.

O aporte de caixa de cerca de € 26,9 milhões, embora represente uma fração do faturamento total do grupo, aporta liquidez imediata. A expectativa é que esses recursos, somados à redução de complexidade administrativa, impulsionem margens e permitam investimentos mais agressivos na expansão de marcas como Natura, Avon (fora da Rússia) e The Body Shop nos mercados latino-americanos, onde a penetração de consumo e a afinidade com o modelo de venda direta permanecem fortes.

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