Na tarde desta terça-feira, 28 de abril de 2026, a Neoenergia S.A. (NEOE3) anunciou por meio de Fato Relevante a conclusão de um acordo estratégico para retomar o controle acionário exclusivo da Neoenergia Transmissão. A operação, estruturada como uma permuta de participações societárias, avalia os ativos envolvidos em R$ 2,417 bilhões e coloca fim à gestão compartilhada da unidade, vigente desde setembro de 2023 com o Unique Power FIP Multiestratégia e a Warrington Investment (ambas entidades privadas, sem ticker público).
O acordo prevê que a Neoenergia adquira 1% das ações da Neoenergia Transmissão atualmente detidas pelo Unique Power. Em contrapartida, a companhia listada na B3 emitirá novas ações, correspondentes a 49% do capital da unidade de transmissão, para entregar ao fundo. Essa emissão será realizada via aumento de capital em espécie (aporte de ativos ao invés de recursos em caixa), com a integralização de todas as participações que a Neoenergia detém em sete controladoras do setor de transmissão.
Ativos envolvidos na troca
O aporte contempla 100% das ações das seguintes sociedades controladas:
- Neoenergia Guanabara Transmissão de Energia S.A.
- Neoenergia Vale do Itajaí Transmissão de Energia S.A.
- Potiguar Sul Transmissão de Energia S.A.
- Neoenergia Morro do Chapéu Transmissão e Energia S.A.
- Neoenergia Estreito Transmissão de Energia Elétrica S.A.
- Neoenergia Alto Paranaíba Transmissão de Energia Elétrica S.A.
- Neoenergia Paraíso Transmissão de Energia Elétrica S.A.
O equity value (valor de mercado do patrimônio líquido) considerado para a base de cálculo é de R$ 2.417.660.000,00, com data-base em 30 de setembro de 2025. O montante está sujeito a ajustes contábeis e operacionais padrão até a data de fechamento (closing) do negócio.
O que muda para investidores
Com a conclusão do acordo, a Neoenergia passará a deter 51% do capital social da Neoenergia Transmissão, consolidando seu controle acionário e decisório. Para o mercado, a reestruturação simplifica a governança corporativa da divisão de transmissão, elimina a necessidade de coordenação de estratégias com sócios minoritários e facilita a consolidação integral dos resultados financeiros da unidade nos demonstrativos da companhia. A estrutura de troca preserva o caixa da Neoenergia, já que não há desembolso financeiro direto para a aquisição da fatia.
O cronograma de execução, contudo, depende do cumprimento de condições precedentes regulatórias. A operação precisa de aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), além de consentimentos de terceiros contratuais. Investidores devem monitorar os próximos comunicados da B3 para validar prazos de efetivação e eventuais reflexos no índice de endividamento e na política de dividendos da companhia.
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