O balanço do Nubank (BDR: ROXO34) trouxe dados contraditórios capazes de explicar a queda de até 8% nas ações após o fechamento. O lucro líquido de US$ 894,8 milhões no 4T25 superou as estimativas ao crescer 50% sobre o mesmo período de 2024, mas custos operacionais elevados e preocupações com risco de crédito derrubaram investidores. Neste editorial premium, destrinchamos o balanço e mapeiam possíveis cenários para um dos ativos mais observados da B3.
Desempenho operacional: Força em número
| KPI | 4T25 | Variação |
|---|---|---|
| Lucro líquido | US$ 894,8M | +50% (4T24) |
| Receita total | US$ 4,86Bi | +45% |
| Clientes ativos | 131M | +15% |
| Carteira de crédito | US$ 32,7Bi | +40% (anual) |
O crescimento orgânico segue robusto: a receita total cresceu 45% e alcançou US$ 4,86 bilhões. A base de clientes expandiu para 131 milhões (+15%). O CFO Guilherme Lago atribuiu a alavancagem positiva principalmente ao maior valor por cliente ativo e maior estabilidade no custo de servir.
"O aumento no lucro foi impulsionado pelo maior número de clientes, aumento da receita por cliente ativo e por estabilidade no custo de servir."
Pressões que ofuscaram o brilho
A sazonalidade negativa no crédito pode prejudicar as margens: a inadimplência superior a 90 dias encerrou em 6,6%, mesmo com leve recuperação de 0,1 ponto percentual. As projeções apontam novo repique no 1T26, situação comum para carteiras com forte componente de crédito ao consumidor.
Analistas do Itaú BBA destacaram uma desaceleração no ganho operacional real: "o lucro antes de impostos ficou abaixo do previsto, compensado apenas pela redução não recorrente na taxa efetiva de imposto". O benefício fiscal, que sustentou a rentabilidade, deve perder relevância nos próximos trimestres.
Tensão entre Wall Street e São Paulo
| Instituição | Avaliação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| JPMorgan | Lucro acima das estimativas | Não aplicável |
| Citi | Destaca aceleração no crédito | Não aplicável |
| XP Investimentos | Resultado "misturado" | Não aplicável |
| Itaú BBA | Reforça recomendação "compra" | US$ 20 (12 meses) |
Enquanto o Itaú BBA mantém posição positiva justificando "trajetória de ganho de escala e rentabilidade consistente", analistas da XP ressaltam que "a leitura dos resultados foi prejudicada por efeitos pontuais". O JPMorgan alerta para os questionamentos sobre a sustentabilidade do lucro, que teria dependido de redução na carga tributária.
Passos estratégicos globais
O banco digital acelera a conquista de mercados: obteve a primeira das três aprovações regulatórias necessárias para início das operações nos Estados Unidos. O CEO David Vélez reiterou que, mesmo em um mercado altamente competitivo, existem nichos com potencial de captação e rentabilidade.
O projeto de expansão demandará investimento inicial, mas pode diversificar o portfólio de atuação. Atualmente, 59% do lucro operacional vem do Brasil, 28% do México e 13% da Colômbia. A entrada nos EUA representará um teste importante para modelo de custos.
O que isso significa para o investidor
Traders e investidores de médio prazo devem acompanhar de perto o desempenho da carteira de crédito nos próximos meses, especialmente considerando a sazonalidade negativa no 1T. O preço-alvo de US$ 20 do Itaú BBA pressupõe melhora na eficiência operacional e redução do custo de risco.
Investidores que avaliam exposição ao setor de fintechs brasileiras devem considerar os riscos macroeconômicos: o ambiente de juros estruturalmente mais altos (projecão do COPOM para Selic em 10,75% ao ano) pode afetar a margem de crédito.
Riscos
- Necessidade de controle dos custos operacionais na expansão internacional
- Volatilidade sazonal na inadimplência de clientes
- Redução potencial de benefícios fiscais não recorrentes
- Concencia elevada no mercado norte-americano
- Impactos macroeconômicos do cenário de juros altos
Os próximos meses serão decisivos para validar a sustentabilidade do modelo: 1) a evolução da inadimplência nos principais mercados, 2) o ritmo de captação de clientes e 3) a progressão das aprovações regulatórias nos EUA devem pautar os próximos movimentos da ação.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
