A Oi S.A. (B3: OIBR3) anunciou, em 11 de julho de 2026, a formalização de um contrato de compra e venda de sua Unidade Produtiva Isolada (UPI) de serviços telefônicos com a Método Telecomunicações e Comércio Ltda. O acordo, assinado em 10 de julho, marca um avanço estratégico no plano de reestruturação financeira da companhia em recuperação judicial, visando otimizar ativos, simplificar a operação e gerar caixa. A transação envolve a alienação de 100% das ações da subsidiária Oi Serviços Telefônicos S.A. e ainda depende de aprovações regulatórias para ser liquidada.

Detalhes do pacote de ativos transferidos

Classificada como vencedora do procedimento competitivo pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em 8 de abril de 2026, a proposta da Método abrange um portfólio robusto de telecomunicações. O escopo da venda inclui:

  • Telefonia fixa comutada (STFC): transferência integral da operação de voz fixa;
  • Serviço de última instância (COLR): continuidade obrigatória do atendimento em localidades sem concorrência até dezembro de 2028;
  • Números de emergência e utilidade pública: gestão e manutenção das linhas 190, 192 e 193;
  • Infraestrutura física e lógica: torres, postes, cabeamento, bases, interconexões de rede e equipamentos terminais;
  • Ativos intangíveis e contratuais: carteira de clientes, vínculos empregatícios e contratos com fornecedores específicos.

Para fins de transparência de mercado, a sigla UPI (Unidade Produtiva Isolada) designa um conjunto de ativos que operam de forma autônoma, permitindo sua venda independente dentro de um processo de recuperação judicial. Já a condição COLR garante que, mesmo após a alienação, a população de regiões menos atendidas não ficará sem serviço durante o período regulatório estabelecido.

Próximos passos e condicionantes

A efetiva transferência das ações não é automática. O contrato estabelece cláusulas precedentes, destacando a necessidade de homologação técnica pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de análise antitruste pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Apenas após o aval desses órgãos a operação será considerada concluída. A companhia informou que manterá o mercado informado sobre o andamento das aprovações.

O que muda para investidores

A desinvestida da UPI de telefonia fixa sinaliza maturidade no processo judicial e pode destravar valor de ativos considerados não estratégicos para o futuro da Oi, que tem migrado recursos para infraestrutura de fibra óptica e conectividade móvel. Financeiramente, a conclusão do negócio deve reforçar o caixa e auxiliar no equacionamento do passivo, embora o valor líquido final dependa de ajustes contratuais e condições de fechamento. O mercado deve, contudo, monitorar o cronograma de análise do Cade e da Anatel, que historicamente pode se estender por meses. Além disso, a manutenção dos serviços COLR até o fim de 2028 exige atenção à capacidade operacional da compradora, já que eventuais falhas podem gerar passivos regulatórios ou revisões tarifárias. No curto prazo, a notícia é precificada positivamente pela redução da complexidade operacional e pela previsibilidade de fluxo de caixa associada à venda de ativos maduros.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.