Ouro registrou queda de 1,04% nesta quinta-feira, 12, na Comex (divisão de metais da New York Mercantile Exchange, ou Nymex), fixando-se em US$ 5.179,10 por onça-troy (unidade tradicional de peso para metais preciosos), em meio à valorização do dólar frente a outras moedas, impulsionada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio.

Desempenho dos metais preciosos em Nova York

Na sessão, o contrato futuro de ouro para abril recuou 1,04%, enquanto o de prata para maio caiu 0,49%, atingindo US$ 85,112 por onça-troy. Esses movimentos estenderam as perdas da sessão anterior, refletindo a pressão do dólar como ativo de proteção em cenários de incerteza geopolítica.

MetalContratoVariação (%)Preço (US$/onça-troy)
OuroAbril-1,045.179,10
PrataMaio-0,4985,112

Tensões no Oriente Médio reacendem temores globais

Declarações do aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, em pronunciamento televisivo, alertaram para a abertura de novas frentes de batalha contra os Estados Unidos caso o conflito persista. Em complemento, Ali Reza Tangsiri, comandante das forças navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, força militar de elite iraniana), afirmou que Teerã está apta a elevar o nível das operações militares. Essas afirmações reacenderam debates sobre a extensão e os efeitos econômicos da disputa, favorecendo o dólar e limitando a atratividade do ouro.

Visão de analistas e cenário monetário nos EUA

Especialistas do ANZ Research consideram as baixas recentes do metal nobre passageiras.

Embora o dólar tenha se recuperado devido ao seu status de porto seguro, essa força provavelmente será temporária, já que a moeda permanece sobrevalorizada
, apontam, destacando baixa chance de o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) alterar sua postura de aperto monetário. Operadores precificam setembro como o período mais provável para o reinício do ciclo de redução de juros pelo Fed, conforme ferramenta de probabilidades do CME Group (Chicago Mercantile Exchange). Até dezembro, 40,3% das apostas indicam corte acumulado de 25 pontos-base (pb) (equivalente a 0,25 ponto percentual) na taxa básica americana, contra 28,3% para estabilidade.

Reduções moderadas na taxa costumam reduzir o apelo do ouro, que perde atratividade em ambientes de juros mais baixos.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, a força do dólar eleva o custo em reais de ativos lastreados em ouro, como fundos ou contratos futuros na B3, agravando perdas nominais em um contexto de câmbio volátil. Cenário otimista envolve desescalada rápida das tensões, com dólar perdendo fôlego e ouro recuperando via queda de juros globais; pessimista projeta prolongamento do conflito, sustentando o dólar e mantendo pressão sobre commodities. No Brasil, monitorar o diferencial Selic-CDI frente a Treasuries americanos influencia alocações em renda fixa local versus proteção inflacionária via metais, sem desconsiderar oscilações no IPCA e Ibovespa sensíveis a riscos externos.

Riscos

  • Prolongamento do conflito no Oriente Médio, ampliando volatilidade no dólar e em commodities.
  • Alterações nas apostas de política monetária do Fed, com cortes mais brandos reforçando queda no ouro.
  • Sobrevalorização persistente do dólar, limitando rebound de metais preciosos no curto prazo.

Os próximos indicadores a acompanhar incluem atualizações na ferramenta do CME Group sobre o Fed e evoluções geopolíticas envolvendo Irã e EUA, que podem ditar rota para dólar e ouro nas próximas sessões da Comex.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.