O ouro bateu em retirada após semanas de valorização, fechando com queda de 0,61% a US$ 2.194,20 por onça-troy na Comex, divisão de metais da CME Group, nesta quinta-feira (26/09). O movimento ocorreu paralelamente à nova rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã, que carrega potencial de redefinir prêmios de risco geopolíticos. A prata também sofreu ajustes mais acentuados, recuando 4,38% a US$ 86,998 por onça-troy.

Mármore Geopolítico Entre EUA e Irã

As conversações em Teerã envolveram propostas iranianas centradas na suspensão de sanções norte-americanas, mas mantiveram posição firme quanto ao direito ao enriquecimento de urânio. Esse cenário eleva incertezas sobre a estabilidade da rotação comercial no Golfo Pérsico, principal via para 17% das exportações globais de petróleo.

"Escaladas tensionam mercados emergentes e reforçam o papel protetor do ouro", destaca análise do ING
MetalMês de VencimentoVariação (%)Último Fechamento (US$/onça)
OuroAbril-0,61%2.194,20
PrataMarço-4,38%86,99

Indicativo do Fed Pressiona Metais

O presidente do Federal Reserve de São Francisco, Stephen Miran, reforçou expectativa de quatro cortes de 0,25 ponto base na taxa federal até 2025, totalizando 100 pontos-base de afrouxamento. Historicamente, juros mais baixos dos EUA reduzem a atratividade do dólar, criando ambiente propício para valorização dos metais não-rendosos. No entanto, o mercado já precifica esse movimento, explicando as oscilações recentes.

Estratégias Tarifárias de Trump

Enquanto isso, a Casa Branca estuda mecanismos jurídicos para manter arrecadação com tarifas declaradas inconstitucionais pela Suprema Corte. Esse impasse pode complicar negociações comerciais bilaterais e afetar fluxos de capitais entre mercados emergentes e desenvolvidos.

O que isso significa para o investidor

Investidores brasileiros devem monitorar dois vetores principais: 1) a oscilação do dólar frente ao real (R$ 5,66 na cotação direta), que impacta custos para importação de metais, e 2) a relação entre juros futuros (CDI) e inflação (IPCA 12m de 11,84%), que condicionará o apetite por ativos reais em carteiras domésticas. A manutenção de exposição reduzida ao ouro pode ser estratégico em cenário de volatilidade contida, enquanto elevação do risco geopolítico justificaria proteções hedge.

Riscos à Visão de Curto Prazo

  • Novo confronto direto entre forças iranianas e navios mercantes estrangeiros no Estreito de Ormuz
  • Surpresa hawkish do Fed nas atas da reunião de outubro, mantendo juros estáveis
  • Elevação do spread da dívida corporativa que pressione o custo de oportunidade do ouro

Até o fim do trimestre, quatro gatilhos demandarão atenção: a decisão da OPEP+ sobre cortes na produção (30/09), os números do PIB nos EUA (30/09), a reunião do Copom (15/10) e as eleições na Argentina (22/10), dada a exposição de bancos brasileiros a ativos soberanos argentinos.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.