O contrato futuro mais negociado de ouro registrou desvalorização de cerca de 1% na sessão de terça-feira, 24, refletindo ajustes de posições rentáveis por investidores diante de um ambiente marcado por dúvidas econômicas e tensões geopolíticas envolvendo tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e atritos entre Estados Unidos e Irã.
Fechamentos na divisão de metais da Nymex
Na Comex (Chicago Mercantile Exchange, braço dedicado a commodities metálicas da bolsa de Nova York, ou Nymex - New York Mercantile Exchange), o ouro com vencimento em abril terminou com recuo de 0,94%, cotado a US$ 5.176,3 por onça-troy (unidade de medida padrão para metais preciosos, equivalente a 31,1 gramas). Em contrapartida, a prata com entrega em março avançou 1,07%, alcançando US$ 87,50 por onça-troy.
| Ativo | Vencimento | Variação (%) | Preço de Fechamento (US$/onça-troy) |
|---|---|---|---|
| Ouro | Abril | -0,94 | 5.176,3 |
| Prata | Março | +1,07 | 87,50 |
Implementação de tarifas globais pelos EUA
As tarifas gerais anunciadas pelos Estados Unidos começaram a valer na terça-feira, 24, com taxa de 10%, embora o presidente Trump tenha sinalizado possibilidade de elevação para 15%. Essa medida veio após a Suprema Corte americana bloquear, na sexta-feira anterior, a maior parte de um pacote tarifário implementado em abril do ano passado.
“Ainda não se sabe como os parceiros dos EUA vão reagir a essas mudanças tarifárias”, conforme avaliação do Commerzbank, que questiona se as taxas serão plenamente retomadas ou redistribuídas entre nações afetadas.
Indicadores econômicos americanos e valorização do dólar
Os números do comércio atacadista nos Estados Unidos saíram alinhados às expectativas do mercado durante a manhã. Já o índice de confiança do consumidor superou as projeções, fortalecendo o dólar e exercendo pressão descendente sobre os metais preciosos, tradicionalmente sensíveis à cotação da moeda americana.
Declarações recentes de autoridades do Federal Reserve
Membros do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) reiteraram preocupações com a trajetória econômica e pressões inflacionárias. Raphael Bostic, do Federal Reserve Bank de Atlanta, destacou a persistência de níveis baixos na confiança dos consumidores, atribuídos a um quadro de incertezas. A diretora Lisa Cook expressou reservas quanto ao uso acelerado da inteligência artificial para elevar a produtividade. Por sua vez, o diretor Christopher Waller observou que análises sobre impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho tendem a exagerar os perigos para a ocupação.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, movimentos no ouro futuro sinalizam volatilidade em ativos de proteção contra inflação e câmbio, especialmente com o real exposto a oscilações globais. Cenário otimista envolveria recuo nas tensões tarifárias, aliviando o dólar e favorecendo repique nos preços dos metais; pessimista agravaria com retaliações comerciais, elevando aversão ao risco e demandando mais safe havens. No contexto macro local, monitorar divergências entre Selic, CDI e IPCA ganha relevância, pois commodities como ouro influenciam alocações em fundos cambiais ou multimercados expostos ao exterior, sem alterar estratégias de longo prazo ancoradas em diversificação.
Riscos em destaque
O ambiente atual concentra incertezas que demandam cautela:
- Reação de parceiros comerciais dos EUA às tarifas de 10%, com risco de escalada para 15%.
- Tensões geopolíticas EUA-Irã, ampliando aversão ao risco global.
- Força do dólar ante dados positivos de confiança do consumidor e atacado.
- Incertezas econômicas destacadas pelo Fed, incluindo inflação e impactos da inteligência artificial no emprego e produtividade.
Os próximos eventos a acompanhar incluem respostas de nações parceiras às tarifas americanas e novas falas do Fed sobre rumos monetários, que poderão ditar a direção dos metais preciosos nas próximas sessões na Comex.
