O mercado de commodities metálicas vivenciou uma jornada de forte retração nesta quinta-feira, 26 de outubro, com o ouro registrando uma queda de 3,89%. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores macroeconômicos, incluindo o fortalecimento global do dólar e a valorização do petróleo, que renova os temores inflacionários e reforça a tese de manutenção de taxas de juros elevadas por mais tempo. O contrato do metal precioso com vencimento para abril encerrou o dia cotado a US$ 4.376,30 por onça-troy — unidade de medida padrão para metais preciosos que equivale a aproximadamente 31,1 gramas.
Desempenho dos Metais na Comex
A pressão vendedora não se limitou ao ouro. Na Comex, divisão de metais da bolsa de mercadorias de Nova York (Nymex), a prata também sofreu um ajuste severo. A volatilidade reflete a busca dos investidores por liquidez no dólar americano em detrimento de ativos que não geram rendimentos diretos (juros).
| Ativo (Vencimento) | Variação Percentual | Preço de Fechamento |
|---|---|---|
| Ouro (Abril) | -3,89% | US$ 4.376,30 /oz |
| Prata (Maio) | -6,48% | US$ 67,93 /oz |
Geopolítica e o Fator Oriente Médio
O cenário no Oriente Médio continua sendo o principal catalisador de incerteza nos mercados internacionais. As negociações para um possível cessar-fogo apresentam sinais ambíguos, o que gera insegurança entre os agentes financeiros. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que o Irã demonstra interesse em negociar, mas manteve o mistério sobre a extensão do prazo para um acordo formal, que atualmente expira nesta sexta-feira.
A resposta de Teerã aos 15 pontos propostos por Washington já foi enviada por meio de intermediários e aguarda retorno. Enquanto o desfecho diplomático não se consolida, o mercado reage com a valorização do petróleo, o que indiretamente pressiona o ouro devido à correlação com as expectativas de inflação e a consequente necessidade de juros altos para contê-la.
Demanda Estrutural e Juros Reais
Analistas da Capital Economics apontam para uma fragilidade na demanda estrutural pelo metal. Segundo a consultoria, o aumento dos juros reais (taxa de juros nominal subtraída a inflação esperada) retira o brilho do ouro como porto seguro. Quando os rendimentos dos títulos públicos oferecem retornos reais atrativos, o custo de oportunidade de carregar ouro — que não paga dividendos ou cupons — aumenta significativamente.
"Mesmo que o conflito se resolva em breve, as mesmas forças que haviam impulsionado a alta do ouro podem se inverter e provocar novas quedas nos preços ainda neste ano", avalia a equipe da Capital Economics.
Intervenção e Vendas na Turquia
Um dado relevante que contribuiu para a pressão negativa veio do Banco Central da Turquia. As reservas de ouro da instituição sofreram uma redução drástica de quase 50 toneladas em apenas uma semana, atingindo o patamar de 772 toneladas. Esta representa a maior queda semanal desde agosto de 2018.
A autoridade monetária turca liquidou cerca de US$ 3 bilhões em ouro na última semana. Esta movimentação soma-se aos US$ 26 bilhões em vendas de moeda estrangeira realizados desde o início do conflito no Irã, há cerca de um mês, em um esforço coordenado para estabilizar o mercado cambial local.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física no Brasil, o movimento do ouro serve como um termômetro do apetite por risco global. Historicamente, o ouro atua como um "hedge" (proteção) contra a inflação e crises sistêmicas. No entanto, o cenário atual mostra que a força do dólar e a resiliência dos juros nos EUA podem sobrepor o prêmio de risco geopolítico.
- Cenário de Atenção: Se os dados de emprego nos EUA (como os pedidos de auxílio-desemprego, que vieram dentro do esperado) continuarem sinalizando uma economia aquecida, o Federal Reserve (Fed) terá espaço para manter juros altos, o que é prejudicial para o preço nominal do ouro.
- Impacto no Brasil: O investidor que possui exposição a fundos de ouro ou contratos na B3 deve monitorar não apenas o preço da commodity em Nova York, mas também a variação do câmbio (USD/BRL), uma vez que o ouro é precificado internacionalmente em dólares.
Riscos Estruturais
Os principais riscos monitorados pela redação do Ativo Virtual, baseados nos eventos correntes, incluem:
- Escalada no Irã: Um eventual fracasso nas negociações pode reverter a queda atual, trazendo de volta a busca por proteção.
- Liquidez dos Bancos Centrais: Novas vendas massivas por BCs de países emergentes, como a Turquia, para defender suas moedas pode inundar o mercado com oferta física do metal.
- Inflação Persistente: Se o petróleo continuar subindo, a inflação global pode forçar os bancos centrais a serem ainda mais rigorosos na política monetária.
Perspectiva e Próximos Passos
O mercado aguarda com expectativa o encerramento do prazo concedido pelos EUA ao Irã nesta sexta-feira. Qualquer anúncio sobre um acordo formal ou a ruptura definitiva das conversas deve ditar o ritmo de abertura dos mercados na próxima semana. Além disso, os dados de inflação e emprego nos Estados Unidos seguem no radar como os principais vetores de longo prazo para a trajetória dos juros e, consequentemente, das commodities metálicas.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
