O contrato de ouro com vencimento em dezembro fechou esta segunda-feira (2) a US$ 3.969,60 por onça-troy na Comex, alta de 1,81% que devolveu parte do recuo das últimas sessões. A prata para o mesmo vencimento avançou 3,27%, a US$ 50,888. Onça-troy é a unidade de peso usada no mercado de metais preciosos, equivalente a cerca de 31,1 gramas; a Comex é a divisão de metais da bolsa de Nova York. O gatilho do dia veio de fora: o petróleo despencou mais de 8% com sinais de diálogo entre Estados Unidos e Irã em torno do fim da guerra no Oriente Médio.
Prata avança 3,27% e petróleo recua mais de 8% no mesmo dia
As conversas entre autoridades iranianas e do Catar alimentaram a expectativa de um desfecho para o conflito, e o petróleo foi o primeiro a reagir, com queda superior a 8%. O recuo abriu espaço para uma recuperação dos ativos de risco.
| Ativo | Variação na sessão | Fechamento |
|---|---|---|
| Ouro (dezembro, Comex) | +1,81% | US$ 3.969,60 por onça-troy |
| Prata (dezembro, Comex) | +3,27% | US$ 50,888 por onça-troy |
A prata amplificou o movimento do ouro, como costuma ocorrer em sessões de maior apetite por risco dentro do segmento de metais: o contrato de dezembro do metal branco avançou quase o dobro do percentual do ouro, sustentado pelo mesmo alívio geopolítico que derrubou o petróleo.
Ormuz, o plano de dois dias e a condição imposta por Washington
O porta-voz da chancelaria do Irã, Esmail Baghaei, mencionou um plano de dois dias para reabrir o Estreito de Ormuz — passagem marítima estratégica para o escoamento de petróleo — e retomar as negociações nucleares com os EUA. A execução, porém, ficou condicionada às ações de Washington.
Do lado americano, o presidente Donald Trump demonstrou abertura para negociar, sem se comprometer com uma conclusão, e reiterou que Teerã não pode ter armas nucleares. A sinalização bastou para esfriar as tensões e mexer com as commodities, mas o desfecho segue indefinido — o que mantém o noticiário geopolítico como fonte de volatilidade para ouro e petróleo.
Payroll de outubro e reunião do Fed de dezembro
Além da geopolítica, o mercado opera à espera do payroll, o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, previsto para o fim desta semana. O dado é o principal termômetro do mercado de trabalho americano e entra na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na calibragem dos juros.
A avaliação do ING é que o número de outubro não deve alterar o cenário de aperto monetário — juro mais alto para conter a inflação — esperado para a reunião de dezembro, salvo se o resultado vier muito pior do que o previsto.
Fechamento abaixo de US$ 4.000 e o viés apontado pela Forex.com
O salto de 1,81% não recolocou o ouro acima do patamar de US$ 4.000. Em relatório, a Forex.com observou que a preocupação com uma nova rodada de altas de juros nos EUA segue no radar de quem investe em metais preciosos — juro mais alto tende a reduzir o apetite por ativos que não geram renda, caso do ouro.
Para o investidor brasileiro que acompanha o metal, dois fatores entram na conta: a cotação internacional, definida em dólar e sensível ao humor do Fed, e o câmbio, que converte esse preço para reais. Aperto monetário adicional nos EUA tende a encarecer a manutenção de posições em ativos sem renda e a limitar o espaço de valorização dos metais preciosos.
Os próximos gatilhos estão mapeados: o payroll no fim desta semana, a decisão do Fed em dezembro e o andamento das conversas entre Irã e EUA sobre Ormuz e o programa nuclear. Enquanto os três não se resolvem, a tendência é de sessões guiadas por manchetes, com prata e ouro amplificando o movimento um do outro — na segunda-feira, a prata subiu 3,27% no mesmo dia em que o ouro avançou 1,81%.
