O ouro alcançou forte valorização de 2,85% nesta segunda-feira (23), fechando em US$ 5.225,6 por onça-troy, maior patamar desde setembro de 2023, em movimento atrelado à decisão do presidente Trump de impor tarifas globais de 15% e ao agravamento das tensões no Oriente Médio.

Mercado interliga fatores geopolíticos e econômicos

A determinação das tarifas pelos EUA, somada à ordem de evacuação de diplomatas norte-americanos do Líbano, ampliou a demanda por ativos considerados seguros. A desvalorização do dólar, impulsionada pela incerteza comercial, tornou os metais preciosos mais acessíveis para investidores estrangeiros. Isso impactou diretamente outras commodities como a prata, que subiu 5,14%, cotada a US$ 86,57 por onça-troy:

MetalVariaçãoCotação
Ouro (abril/24)+2,85%US$ 5.225,6
Prata (março/24)+5,14%US$ 86,57

Indústria reage a decisão judicial sobre poder comercial de Trump

"A Suprema Corte limitou poderes de emergência do presidente em comércio exterior, gerando volatilidade nos mercados globais",

comenta Soojin Kim, estrategista do MUFG. A medida cria indefinição sobre acordos comerciais bilaterais e pressiona governos emergentes, incluindo o Brasil, que terá que avaliar impactos em setores como mineração e tecnologia.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor brasileiro, a valorização do ouro reflete na performance de ETFs globais (como o ISHG11) negociados na B3. A manutenção do dólar abaixo de R$ 5,20 torna esses ativos mais acessíveis, mas exige atenção à Selic crescente, já que a manutenção dos juros reais positivos pressiona metais não remuneradores. Investidores em ouro físico devem monitorar custos cambiais e IOF nas operações internacionais.

Riscos e oportunidades técnicas

  • Escalada de conflito armado no Líbano (risco de ataque à Israel ou Irã)
  • Reações de China e UE à nova tarifação americana
  • Retração potencial do ouro caso dólar recupere força em Q2/24
  • Nível crítico de suporte em US$ 4.950 na Comex

Os analistas do Société Générale destacam que a consolidação técnica acima da média móvel de 50 dias abre espaço para testar US$ 5.285-5.310 como próxima resistência, enquanto correções curtas encontram suporte em US$ 4.950.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.