A Paramount e a Skydance fecharam um acordo para adquirir a Warner Bros Discovery por US$ 110 bilhões, uma das maiores fusões de mídia da história. O anúncio, feito após a Netflix decidir não igualar a proposta final de US$ 31 por ação, reconfigura o setor de entretenimento global e junta dois dos maiores estúdios de Hollywood.
Processo de negociação e propostas concorrentes
Entre fevereiro e maio, Paramount e Netflix travaram corrida acirrada pela Warner, com a empresa de streaming mantendo oferta inicial de US$ 23,50 por ação em fevereiro, antes de elevar lentamente seu preço. A Paramount, que vinha aumentando sua proposta desde outubro de 2023, fechou sua oferta revisada a US$ 31 por ação, considerada superior pela Warner.
| Data | Comprador | Valor por ação (US$) | Total (em bilhões) |
|---|---|---|---|
| Out 2023 | Paramount (oferta inicial) | 22-23 | 86-90 |
| Fev 2024 | Netflix | 23,50 | 89 |
| Mai 2024 | Netflix | 27,75 | 105 |
| Mai 2024 | Paramount (final) | 31 | 110 |
Estrutura financeira do negócio
O negócio inclui US$ 29 bilhões em dívida, o que representa 26% do valor total. A Paramount demonstrou compromisso com o fechamento, aumentando a multa rescisória de US$ 5,8 bilhões para US$ 7 bilhões no caso de falha em obter aprovação regulatória, a maior cláusula desse tipo registrada para uma fusão no setor de mídia.
Estratégia das partes envolvidas
O grupo Skydance, controlado pela família Ellison (fundador da Oracle), obterá acesso ao catálogo da Warner, incluindo franquias valiosas como Animais Fantásticos e Matrix. O objetivo é integrar a HBO Max com o serviço Paramount+, criando concorrente direto à Netflix que detém 21% do mercado global de streaming. A Netflix, por sua vez, optou por recuar após decisão estratégica de não elevar mais seu preço, mesmo com a possibilidade de ampliar seu domínio no setor.
O que isso significa para o investidor
Brasileiros com exposição ao setor de mídia via ETFs globais ou ADRs americanos devem monitorar de perto os efeitos desta fusão. A nova entidade tem potencial de melhorar eficiência operacional ao reduzir redundâncias, mas enfrentará desafios integrando culturas corporativas diferentes e equilibrando a estratégia de streaming com modelos tradicionais de assinatura. Considerando o ciclo de juros elevados no exterior (Taxa Federal Funds dos EUA a 5,50%), o custo de financiamento do negócio exigirá atenção.
Riscos do acordo
Os principais riscos incluem:
- Obstrução regulatória por autoridades antitruste nos EUA, especialmente pela FTC liderada por Lina Khan
- Pressão legislativa de parlamentares bilaterais preocupados com concentração de mercado
- Impacto nos salas de cinema, que temem redução no número de lançamentos
- Cenário judicial incerto devido a disputas existentes da Warner
- Rompimento da aliança entre Paramount e Skydance
Perspectivas e próximos passos
O processo regulatório nos EUA e em países estrangeiros começará nas próximas semanas. A Warner está cotada na Nasdaq sob o ticker WBD, mas o ticker deixará de existir caso o acordo seja finalizado. Acionistas minoritários, incluindo a Ancora Holdings, ainda precisam votar formalmente.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
