A disputa pela Warner Bros. Discovery entra em nova fase após a Paramount Skydance elevar sua proposta para US$30 por ação em dinheiro, superando o acordo firmado com a Netflix em dezembro por US$27,50 por ação, conforme revelado por fontes próximas às negociações. O movimento reacende a batalha por um dos pilares do entretenimento mundial, com implicações estratégicas e financeiras de longo alcance.

Detalhes da nova oferta

A atual proposta da Paramount endereça críticas anteriores, principalmente sobre certeza no financiamento da operação. Diferente de ofertas anteriores, esta inclui garantias mais claras sobre a concretização do pagamento, crucial em disputas bilionárias. O valor integral em dinheiro (US$30 por ação) contrasta com a natureza híbrida da proposta Netflix, que combinava US$27,50 em ações e ativos da HBO Max.

ItemParamount (atual)Netflix (original)
Valor por açãoUS$30 (100% em dinheiro)US$27,50 (ações + ativos)
Demostração de capacidade financeiraInclusão de garantias bancáriasNo acordo com a Netflix, compra inclui cisão de canais de TV por assinatura
Data do acordoSem acordo firmadoDezembro de 2025

Principais pontos da oferta Netflix

O pacto com a Netflix prevê a cisão de canais como CNN e TNT, criando entidade independente mantida pelos acionistas da Warner Bros. Discovery. A plataforma HBO Max permaneceria com a Warner Bros., mas migraria para a infraestrutura da Netflix. Este modelo de combinar dinheiro com reestruturação corporativa foi a base de negociação original, antes da retomada das conversas com a Paramount.

Calendário das negociações

O conselho da Warner Bros. Discovery aceitou reabrir discussões com a Paramount até 23 de fevereiro. Caso a nova oferta seja declarada superior ao acordo com a Netflix, esta terá 4 dias úteis para ajustar seus termos. O prazo apertado intensifica o foco na capacidade de ambas as partes de mobilizar recursos e convencer investidores.

O que isso significa para o investidor

Para brasileiros com exposição a BDRs (Recibos de ADRs) de empresas envolvidas, o cenário bifurca:

  • Cenário otimista: se a disputa evoluir para leilão aberto, os múltiplos pagos pela aquisição poderão impulsionar valor relativo dos ativos, refletido em BDRs negociados na B3.
  • Cenário pessimista: prolongamento da incerteza pode pressionar ações frente a segmentos estáveis, especialmente em contexto de juros altos (Selic em 14,95%) e volatilidade do dólar frente ao real.
O impacto cruzado é maior em empresas com exposição ao setor de streaming, como as que compõem o Ibovespa com participação minoritária em fundos de private equity.

Riscos da operação

  • Financiamento não garantido: Apesar de melhorias, dúvidas sobre estrutura de capital da Paramount ainda persistem.
  • Veto regulatório: Autoridades antitruste podem questionar concentração decorrente da fusão.
  • Impacto operacional: Instabilidade gerada pela disputa pode afetar contratos de produção da Warner Bros.

Os próximos passos determinam se a Netflix entra com nova oferta até 27 de fevereiro ou se a Paramount conquista maioria dos votos no conselho da Warner Bros.. A decisão afeta não apenas o setor de entretenimento, mas os fluxos de investimento em mídia global.