O Nasdaq fechou em alta de 1,19% nesta sexta-feira (2), a 27.190,864 pontos, depois de bater máxima histórica de 27.353,68 pontos, mesmo com o payroll de setembro apontando criação de apenas 29 mil vagas líquidas nos Estados Unidos, segundo o Departamento do Trabalho. O relatório mensal de emprego ficou muito abaixo da mediana de 85 mil projetada por analistas consultados pelo Projeções Broadcast, cuja faixa de estimativas ia de 50 mil a 175 mil postos.
Aposta em alta de juros em dezembro recua de 86% para 79,6%
A distância entre um dado fraco de emprego e um índice em recorde se explica pela leitura sobre os juros. Depois da divulgação, a chance implícita de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) subir a taxa na reunião de dezembro caiu de 86% para 79,6%, conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group, que calcula probabilidades a partir dos contratos futuros de juros dos EUA. A maioria das apostas, 79,6%, segue indicando juros mais altos em dezembro: o mercado diminuiu o peso do aperto, mas não o descartou.
Revisões derrubam agosto e viram julho para o negativo
O retrato fica mais fraco quando se olha para trás. Agosto, antes anotado com 162 mil postos criados, foi revisado para 133 mil. Julho, que aparecia com geração de 21 mil vagas, passou a registrar a destruição de 10 mil postos. Em setembro, o desemprego nos EUA avançou para 4,2%, contra 4,1% em agosto — os analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast trabalhavam com estabilidade em 4,1%.
Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq: o fechamento
| Índice | Variação | Pontuação |
|---|---|---|
| Dow Jones | +0,49% | 51.176,96 |
| S&P 500 | +0,73% | 7.722,72 |
| Nasdaq | +1,19% | 27.190,864 |
A marca intradiária do Nasdaq ficou acima do fechamento: 27.353,68 pontos contra 27.190,864 pontos.
Rendimento do Tesouro sobe após cair e tira índices das máximas
Nos títulos do Tesouro americano, os rendimentos recuaram logo depois do relatório de emprego e voltaram a subir ao longo do dia, movimento que afastou os índices das máximas da sessão. A recuperação dos juros não travou, porém, a corrida das ações de tecnologia, sustentada pela volta do apetite a risco.
Nvidia, CrowdStrike, Palo Alto Networks e AMD em máximas
Entre as techs, a Nvidia voltou ao topo histórico, algo que não acontecia desde maio. Também bateram máximas na sessão a CrowdStrike, a Palo Alto Networks e a AMD.
Brent recua 0,06% com o G7 no radar do combustível
No petróleo, o Brent para dezembro — o contrato mais negociado e a referência internacional de preço — recuou 0,06%, para US$ 102,25, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. O pano de fundo é a sinalização de que o G7 avalia liberar reservas de combustível, com 100 milhões de barris entre diesel e petróleo, para aliviar a oferta restrita, enquanto o Oriente Médio segue tenso e o entendimento entre Estados Unidos e Irã permanece distante.
Dois canais pelos quais a sessão americana chega ao Brasil
Para quem investe daqui, o pregão de Nova York importa por dois caminhos: o apetite global por risco, que costuma transbordar para outras praças, e o diferencial de juros entre as duas economias, historicamente relevante para o fluxo em direção a mercados emergentes. Um payroll mais fraco, com revisões negativas, tende a reforçar a percepção de desaceleração da economia americana — mas a curva ainda embute aperto em dezembro, o que mantém o debate aberto.
Fed em dezembro e G7 entram na agenda
A composição da alta também merece atenção. O Nasdaq avançou bem mais que o Dow Jones e o S&P 500, e ganhos concentrados em tecnologia tendem a deixar carteiras expostas ao setor mais sensíveis a correções. Os dois eventos citados na própria sessão seguem no radar: a decisão do Fed em dezembro e a definição do G7 sobre a liberação de reservas de combustível.
