A Petrobras (PETR4) reportou lucro líquido de R$ 15,56 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), reverterando o prejuízo de R$ 17,04 bilhões registrado no mesmo período de 2024, embora aquém da mediana das projeções de analistas compiladas pela LSEG, em R$ 19,2 bilhões. A companhia, maior produtora de petróleo da B3, apresentou resultados na noite de 5 de março, destacando resiliência operacional em um ano marcado por volatilidade nos preços internacionais.
Principais Indicadores Financeiros do Trimestre
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 59,9 bilhões, alinhado às expectativas de R$ 59,3 bilhões e com elevação de 46,3% ante o 4T24. Excluindo eventos não recorrentes, como impairments (reduções ao valor recuperável de ativos) e perdas com variação cambial, o indicador registrou R$ 59 bilhões, queda de 9,4% na base anual, influenciada pela redução no preço do Brent, menor volume de vendas de derivados no mercado doméstico e sazonalidade no diesel.
A receita líquida surpreendeu positivamente, totalizando R$ 127,4 bilhões contra R$ 118,1 bilhões projetados, com crescimento de 5% em relação ao ano anterior. As despesas operacionais caíram 33,1%, para R$ 28,83 bilhões.
| Métrica | Reportado 4T25 | Estimativa LSEG | 4T24 | Var. Anual |
|---|---|---|---|---|
| Lucro Líquido | R$ 15,56 bi | R$ 19,2 bi | -R$ 17,04 bi | - |
| Ebitda Ajustado | R$ 59,9 bi | R$ 59,3 bi | - | +46,3% |
| Receita Líquida | R$ 127,4 bi | R$ 118,1 bi | - | +5% |
Receitas por Mercado e Dinâmica de Preços
As vendas totalizaram R$ 127,37 bilhões, com expansão de 5%. O segmento externo cresceu 41,7%, para R$ 42 bilhões, enquanto o interno retraiu 6,8%, para R$ 85,38 bilhões. Apesar da queda de 14% no Brent, de US$ 74,69 por barril no 4T24 para US$ 63,69, e recuo de 7,7% no dólar médio de venda, para R$ 5,39, a companhia mitigou impactos via eficiência.
Geração de Caixa e Investimentos
O fluxo de caixa operacional no 4T25 somou R$ 54,9 bilhões, alta de 15,2% anual, embora o indicador anual tenha fechado em R$ 200 bilhões, com redução frente a 2024. O fluxo de caixa livre (disponível após despesas operacionais e investimentos essenciais) terminou o trimestre em R$ 19,3 bilhões, declínio de 10,9% na comparação anual.
Os investimentos anuais atingiram US$ 20,3 bilhões, ganho de 22,2% sobre 2024 e 9,7% acima do previsto no PN 2025-29 (Plano Estratégico da companhia para 2025-2029), dentro do guidance. No trimestre, subiram 9,7%, puxados pela construção do FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenagem e Transferência) P-78 e explorações na Margem Equatorial.
Resultados Consolidados de 2025
No acumulado do ano, o lucro líquido chegou a R$ 110,12 bilhões, salto de 200% em relação aos R$ 36,6 bilhões de 2024. Excluindo eventos exclusivos, ajustou-se para R$ 100,9 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado sem eles foi de R$ 244,3 bilhões, variação de -0,6%.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, os números reforçam a capacidade da PETR4 de gerar caixa em ambiente de Selic elevada e câmbio volátil, com dólar em R$ 5,39 beneficiando exportações. Cenário otimista depende de ramp-up de FPSOs como Almirante Tamandaré, Marechal Duque de Caxias, Sepetiba, Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, além de eficiência em Búzios e águas ultraprofundas, elevando produção de óleo e gás em 11%. Pessimista considera persistência de Brent baixo e margens internas pressionadas pelo IPCA e demanda sazonal. Fatores a monitorar incluem proventos de R$ 8,1 bilhões aprovados pelo conselho, com pagamentos em maio e junho de 2026.
Riscos Identificados
- Queda no preço do Brent e variação cambial impactando margens.
- Eventos não recorrentes como impairments de ativos e investimentos.
- Redução nas vendas internas de derivados e sazonalidade no diesel.
- Dependência de ramp-up operacional em novos FPSOs para compensar cenários desafiadores.
A administração, liderada pela presidente Magda Chambriard, enfatiza que o aumento de 11% na produção total de óleo e gás compensou a retração nos preços, sustentando robustez financeira. Investidores devem acompanhar o calendário de balanços da B3 e atualizações do PN 2025-29 para catalisadores como maior capacidade em ativos chave.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
