No dia 30 de abril de 2026, a Petrobras (PETR3/PETR4) divulgou seu relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 (1T26), registrando produção recorde, ganhos de eficiência operacional no refino e a assinatura de contrato estratégico com a Vale (VALE3). Os resultados refletem o ramp-up de novas plataformas no pré-sal, a redução da dependência de importação de derivados e uma reconfiguração da carteira de exportações, com ganhos de competitividade no mercado asiático. Os dados, embora não auditados, indicam uma operação estável e alinhada com as metas de disponibilidade e transição energética.

Produção recorde e expansão no pré-sal

A produção média própria de óleo, LGN e gás natural alcançou 3,23 milhões de barris por dia (boed), um aumento de 3,7% em relação ao 4T25 e 16,1% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela entrada em operação de 10 novos poços e pelo ganho de eficiência de FPSOs no pré-sal, como a P-78 (campo de Búzios) e a Alexandre de Gusmão (campo de Mero). A plataforma P-79 também concluiu sua ancoragem em tempo recorde (12 dias) e integrará o projeto Búzios 8, com capacidade para processar até 180 mil barris/dia e exportar gás via Gasoduto Rota 3.

Eficiência no refino e logística integrada

O parque de refino operou com Fator de Utilização Total (FUT) de 95%, patamar que atingiu 97,4% em março, a maior taxa desde dezembro de 2014. A alta eficiência permitiu um recorde mensal de produção de Diesel S10 em março (512 mil barris/dia), com destaque para as refinarias de Paulínia (REPLAN) e Abreu e Lima (RNEST). A produção total de derivados cresceu 6,7% no trimestre, totalizando 1,816 milhão de barris/dia.

Na logística, a companhia bateu marcos operacionais relevantes:

  • Terminal de Santos movimentou 879 mil m³ de derivados em março, recorde desde os anos 2000.
  • Polioduto OSBRA escoou 756 mil m³ de diesel e gasolina no mesmo mês, garantindo abastecimento no Centro-Oeste.
  • Terminal de Angra dos Reis realizou sua 1.500ª operação STS (ship-to-ship), transferência direta entre navios no mar.

Vendas, exportações e parcerias estratégicas

As vendas de derivados no mercado interno recuaram 1,5% no trimestre em relação ao 4T25, movimento típico da sazonalidade de início de ano e da menor atividade econômica. Em contrapartida, as vendas de Querosene de Aviação (QAV) subiram 3,3% e as de Nafta avançaram 63%. Para compensar a demanda interna, a Petrobras reduziu importações de GLP para 26 mil barris/dia, o menor volume recente, graças à maior produção do Complexo de Energias Boaventura.

Nas exportações, a China consolidou-se como principal destino (62% do petróleo embarcado), seguida pela Índia (15%). A companhia renovou e firmou contratos com estatais indianas (BPCL, HPCL, IOC e MRPL). No mercado doméstico, a Petrobras assinou acordo com a Vale (VALE3) para fornecimento de Diesel S10 (com 15% de biodiesel) em Minas Gerais, com testes em andamento para combustíveis de baixo carbono (Diesel R5 e bunker renovável).

Gás, energia limpa e indicadores ambientais

No segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono, a Petrobras contratou nove usinas termelétricas nos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, garantindo cerca de 2,6 GW de potência firme para o Sistema Interligado Nacional até 2031. A REGAP inaugurou a primeira usina fotovoltaica do parque de refino, com 20 mil placas gerando 13,3 MW, o que deve evitar 8 mil toneladas anuais de CO₂e.

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas atividades de óleo e gás somaram 12,3 milhões de toneladas no 1T26, aumento de 1 milhão frente ao 1T25, explicado pelo maior volume de produção e processamento. A intensidade de emissões no segmento de E&P manteve-se estável em 14,7 kgCO₂e/boe.

O que muda para investidores

Os resultados do 1T26 reforçam a tese de alavancagem operacional e geração de caixa da Petrobras. O recorde de produção no pré-sal, somado à alta utilização do refino (95%), tende a sustentar margens operacionais robustas mesmo em cenários de menor demanda interna. A redução drástica nas importações de diesel e GLP diminui o hedge cambial necessário e melhora o fluxo de caixa livre.

Para o mercado, a reorientação das exportações para Ásia (China e Índia) com contratos de longo prazo com estatais diversifica a receita em moeda forte. A contratação no LRCAP 2026 e os projetos de descarbonização (como a solar da REGAP e o diesel com Vale) sinalizam uma transição gradual que preserva a rentabilidade do core business. Investidores devem monitorar o comportamento do ramp-up da P-78 e P-79, o preço de venda de diesel no mercado doméstico e a evolução do indicador IGEE nos próximos trimestres para ajustar projeções de dividendos e múltiplos de avaliação.

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