A Petrobras (PETR4) apresenta nesta quinta-feira os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) e do ano completo, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio que elevam a volatilidade do petróleo após confrontos recentes envolvendo o Irã. Analistas antecipam lucro líquido de US$ 3,96 bilhões no período, superando o prejuízo de R$ 17 bilhões do 4T24, embora o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) deva cair para US$ 11,1 bilhões em relação ao trimestre anterior.
Consensus de mercado para o 4T25
Consultas da Reuters compilam projeções que apontam para melhora anual no desempenho financeiro da companhia. O lucro total de 2025 deve alcançar US$ 18,24 bilhões, enquanto o Ebitda anual fica estimado em US$ 43,27 bilhões. Esses números refletem maior volume de exportações, apesar da retração sequencial impulsionada pela queda nos preços da commodity.
Produção operacional e dinâmica de preços
A estatal manteve patamares elevados de produção no 4T25, com declínio marginal de apenas 0,6% ante o 3T25. O Brent médio recuou 7,4%, de US$ 68 por barril para US$ 63 por barril, pressionando margens. Essa redução foi amenizada por spreads (diferenciais de preços) mais favoráveis e pela apreciação do real frente ao dólar. Adicionalmente, preços da gasolina caíram com redução de R$ 0,14 por litro em outubro de 2025.
Visões das instituições financeiras
Diferentes casas de análise convergem para Ebitda em torno de US$ 11 bilhões no trimestre, com variações pontuais. A seguir, comparativo das principais estimativas:
| Instituição | Ebitda 4T25 (US$ bilhões) | Lucro Líquido 4T25 (US$ bilhões) | Observação principal |
|---|---|---|---|
| Reuters/XP/Bradesco BBI | 11,1 | 3,96 / 4,61 | Queda 7,1% ante 3T25; produção estável |
| Itaú BBA | 11,22 | - | Recuo 7% nos preços do petróleo |
| BTG Pactual | ~10,5 (queda 5% seq.) | - | Spreads de refino fortes, mas Brent menor |
O Bradesco BBI estima lucro de US$ 4,61 bilhões, 12% inferior aos US$ 5,23 bilhões do 3T25, mas com ganho anual de 10% no Ebitda e reversão do prejuízo anterior.
Desempenho consolidado de 2025
A produção total avançou 10,8% no ano, para 2,990 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboe/dia). No pré-sal, o volume atingiu 2,020 milhões de boe/dia, com expansão de 11,4%. Exportações de petróleo estabeleceram recorde de 765 mil barris por dia, 27,1% acima de 2024, sendo a China responsável por 53% das vendas. Após R$ 94,5 bilhões de lucro nos três primeiros trimestres, o 4T25 pode adicionar R$ 31,1 bilhões, totalizando cerca de R$ 125,5 bilhões no ano, conforme o Ineep.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física exposto à PETR4 na B3, os números sinalizam resiliência operacional em um ano de transição, com exportações recordes compensando volatilidade do Brent. No cenário macro brasileiro, com Selic em patamares elevados e IPCA pressionado pelo câmbio, maiores remessas à China fortalecem o fluxo de caixa em dólares, mas quedas no petróleo podem limitar retornos totais. Cenário otimista depende de spreads favoráveis e real forte; pessimista considera prolongamento de tensões no Irã elevando custos. Fatores como desalavancagem e payout de dividendos merecem monitoramento próximo ao guidance.
Riscos destacados
- Queda nos preços do Brent, impactando diretamente o Ebitda trimestral.
- Aceleração do capex (investimentos) para US$ 5,5 bilhões no 4T25, puxada por leilões do pré-sal.
- Saídas de caixa adicionais de US$ 1,7 bilhão, reduzindo geração livre e dividendos ordinários.
- Volatilidade geopolítica no Oriente Médio, com potencial alta na commodity mas riscos de supply disruptions.
Além dos balanços do 4T25, fique atento ao calendário de resultados da B3 e a desenvolvimentos nos conflitos no Irã, que podem alterar trajetórias de preços do petróleo e spreads de refino nos próximos trimestres.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
