As cotações do petróleo Brent e WTI romperam os US$ 100 por barril nesta segunda-feira, elevando as ações de empresas do setor como Petrobras (PETR3 e PETR4), PRIO (PRIO3), Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3), que registravam valorizações entre 1% e 3,5% por volta das 10h40 (horário de Brasília), no topo dos ganhos do Ibovespa.

Avanço das ações das petroleiras

Apesar de altas menos acentuadas que na abertura, os papéis das petroleiras brasileiras comandavam as maiores altas do principal índice da B3, refletindo a pressão altista nos preços internacionais do barril. Esse movimento ocorre em um dia de volatilidade, com o Ibovespa acompanhando o otimismo setorial.

Picos e variações nos contratos de petróleo

Os contratos futuros do Brent, referência global, e do WTI (West Texas Intermediate, principal benchmark dos EUA) experimentaram saltos expressivos, com máximas intradiárias acima de US$ 119 por barril — patamar não visto desde meados de 2022. Os preços recuaram ao longo da sessão, mas acumularam +66% no Brent e +77% no WTI em relação ao fechamento anterior aos ataques dos EUA e Israel em 28 de fevereiro. Esses níveis se aproximam das máximas históricas de cerca de US$ 147 por barril, registradas em 2008.

ContratoAtual (% variação)Pico intradayAlta desde 28/02
BrentUS$ 100 (+8,20%)US$ 119,50+66%
WTIUS$ 97,86 (+7,56%)US$ 119,48+77%

Tensões geopolíticas elevam preços

O conflito entre EUA, Israel e Irã, iniciado há cerca de uma semana, domina o mercado, com temores de interrupções no Estreito de Ormuz — rota por onde transita aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial —, agora praticamente fechado. A nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei ao comando supremo iraniano reforça a percepção de continuidade da postura linha-dura em Teerã.

Backwardation sinaliza escassez imediata

O prêmio dos contratos do Brent de carregamento no primeiro mês sobre os de seis meses à frente atingiu recorde de quase US$ 36, superando o pico anterior de cerca de US$ 23 em março de 2022, no início da guerra Rússia-Ucrânia. Essa configuração, denominada backwardation (estrutura de curva de futuros em que preços spot superam os de longo prazo), reflete expectativas de oferta apertada no curto prazo.

Cortes voluntários na produção OPEC+

Fontes indicam que a Saudi Aramco iniciou reduções em dois campos petrolíferos. No Iraque, a produção nos principais campos do sul despencou 70%, com tanques de armazenamento no limite. A Kuweit Petroleum Corporation também reduziu operações desde sábado, declarando força maior (cláusula contratual que isenta de obrigações por eventos imprevisíveis) nos embarques, sem detalhar volumes.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, essa disparada nos preços do petróleo pode pressionar a inflação via IPCA, com repasses potenciais para combustíveis e impactos no câmbio, em um cenário de Selic elevada. Cenário otimista envolve resolução rápida do conflito e liberação de reservas; pessimista prevê persistência de supply shock, ampliando volatilidade no Ibovespa e nos yields de títulos públicos. Fatores como decisões da OPEP e reuniões do G7 sobre reservas estratégicas merecem atenção.

Riscos a monitorar

  • Prolongamento da guerra EUA-Israel-Irã, com danos em infraestrutura e logística marítima interrompida.
  • Escassez prolongada de combustível para consumidores e empresas globais, mesmo com cessar-fogo rápido.
  • Contratos de gasolina nos EUA em US$ 3,22 o galão — máxima desde 2022 —, afetando dinâmica eleitoral e demanda.
  • Ameaças de ampliação de cortes na produção por OPEP, com Emirados Árabes Unidos próximos do esgotamento de capacidade de estocagem.

Adiante, fique atento às discussões do G7 sobre liberação coordenada de reservas estratégicas de crude, evolução do conflito no Oriente Médio e ajustes na oferta por parte de produtores da OPEP. Indicadores como o prêmio de backwardation e volumes no Estreito de Ormuz continuarão cruciais para medir tensões.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.