O Brent para novembro encerrou a quinta-feira (24) cotado a US$ 107 o barril na ICE, em Londres, com valorização de 4,34%. Na Nymex, o WTI do mesmo vencimento subiu 2,65% (US$ 2,45) e fechou a US$ 94,61. O contrato de dezembro do Brent avançou 3,41% (US$ 3,52), a US$ 106,60. Por trás do movimento está a ausência de definição nas conversas entre Washington e Teerã — e, com ela, a dúvida sobre quando o Estreito de Ormuz voltará a operar sem entraves.

Os números da sessão

ContratoPraçaVariaçãoFechamento
Brent novembroICE (Londres)+4,34%US$ 107,00
Brent dezembroICE (Londres)+3,41% (US$ 3,52)US$ 106,60
WTI novembroNymex+2,65% (US$ 2,45)US$ 94,61

O vaivém que sustenta o prêmio de risco

O petróleo chegou a recuar das máximas do dia depois que a Reuters noticiou que as duas nações discutem, em Nova York, um acordo faseado: o texto destravaria a rota marítima e encerraria o cerco naval imposto pelos americanos a Teerã. A alta da véspera teve origem oposta — veio justamente do tom mais duro adotado por ambos os lados e da falta de progresso nas tratativas.

Enquanto não há assinatura, cada manchete sobre a mesa de negociação tende a se refletir no barril. Trata-se de um prêmio de risco geopolítico — a parcela do preço que o mercado paga pela incerteza sobre oferta e transporte —, e não de uma mudança na oferta estrutural da commodity.

A carga que passa ao largo da costa brasileira

Dados de rastreamento citados pela AFP indicam que três petroleiros confiscados pelo governo Trump transportam quase 6 milhões de barris de petróleo iraniano, volume estimado em cerca de US$ 600 milhões, e cruzam o Atlântico rumo aos Estados Unidos. Duas dessas embarcações estão, agora, na costa brasileira.

No Mar Vermelho, a Arábia Saudita afirmou ter abatido seis mísseis balísticos disparados por houthis. Os alvos declarados foram a cidade portuária de Yanbu, de frente para o Mar Vermelho, e Taif. Reportagem do The Wall Street Journal aponta que boa parte dos fabricantes de peças para drones dos houthis, todos sob sanção americana, tem base na China — sinal de uma aliança da milícia que extrapola o apoio iraniano.

Ainda na esteira do conflito, os Emirados Árabes Unidos suspenderam os voos de companhias iranianas com origem ou destino no país. A decisão da autoridade de aviação civil local, a GCAA, vem depois de os Estados Unidos proibirem essas empresas de operar em aeroportos de diversos países.

O que o choque de energia muda para quem investe daqui

Choque de petróleo não fica na tela da commodity: ele tende a atravessar frete, combustível e, no limite, preços ao consumidor. O Banco Central já afirmou não enxergar, até aqui, transmissão inflacionária vinda do encarecimento do barril, embora reconheça que efeitos de segunda ordem podem aparecer quando as companhias se antecipam a custos maiores — movimento que o ambiente atual não tem permitido.

O diesel é o ponto de atenção apontado pelos analistas da Capital Economics, que veem risco de escassez caso Washington limite as exportações do derivado.

Para a bolsa brasileira, o movimento tende a ser assimétrico: companhias ligadas à produção de óleo e gás costumam capturar parte da alta, enquanto setores intensivos em combustível — transporte, logística e aviação — absorvem o custo antes de conseguir repassá-lo. Historicamente, ralis de petróleo com origem geopolítica são voláteis e reversíveis, o que reforça a leitura de prêmio de risco, e não de um novo patamar de oferta.

O que observar daqui para frente

  • O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca, com o líder chinês defendendo que americanos e iranianos retomem o quanto antes a via da negociação.
  • A definição sobre eventual restrição às exportações americanas de diesel.
  • O desfecho do acordo faseado discutido em Nova York para reabrir o Estreito de Ormuz.