A caderneta de poupança mantém presença em 69% das carteiras de mulheres investidoras, mas registra queda de 14 pontos percentuais desde 2021, conforme a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, produzido pela Anbima em parceria com o Datafolha. Esse recuo sinaliza maior diversificação entre as 31% de brasileiras que investem, impactando o perfil conservador tradicional desse público.

Diversificação avança entre investidoras

O declínio da poupança reflete o interesse crescente por alternativas, impulsionado pela inclusão financeira via bancos digitais e redução de valores mínimos para entrada em novos produtos. Nos últimos cinco anos, a alocação em títulos privados subiu 9 pontos percentuais, enquanto fundos de investimento avançaram 4 pontos percentuais desde 2021, conforme o levantamento que ouviu 5.832 pessoas de 16 anos ou mais entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

Produtos financeiros mais adotados

Entre as mulheres que investem, a poupança lidera, mas opções como moedas digitais, ações individuais negociadas na B3 e títulos públicos via Tesouro Direto (plataforma do governo para venda direta de dívida pública) ganham tração. A tabela abaixo detalha a adesão atual:

ProdutoParticipação (% das investidoras)
Caderneta de poupança69
Títulos privados16
Fundos de investimento10
Moedas digitais7
Previdência privada5
Tesouro Direto (títulos públicos)4
Ações3
Moedas estrangeiras3

Os dados representam a população economicamente ativa de 168,1 milhões de pessoas, com 51% mulheres e idade média de 44 anos.

Prioridades e mudança de mentalidade

Para 31% das investidoras, o retorno financeiro supera a segurança, priorizada por 27%. Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, atribui essa evolução à busca por proteção contra a inflação e aceitação de oscilações de curto prazo em prol de ganhos maiores a longo prazo.

Fatores como tíquetes iniciais menores, plataformas abertas de distribuição, bancos digitais e influenciadores financeiros aceleram essa transição.

Reserva de emergência expõe vulnerabilidades

Apenas 36% das investidoras contam com reserva para seis meses ou mais de despesas. Pior: 13% não possuem qualquer colchão financeiro, com 27% relatando gastos acima da renda e 47% equilibrando despesas aos ganhos. Incluindo não investidoras, só 20% têm reserva robusta, destacando barreiras ao crescimento do mercado.

O que isso significa para o investidor

Esse perfil indica maturidade crescente entre investidoras intermediárias, com migração para ativos pós-fixados atrelados ao CDI ou IPCA em cenários de Selic em queda, mas exige atenção à liquidez da poupança versus rentabilidade de fundos e Tesouro Direto. Otimista: diversificação eleva resiliência ao Ibovespa volátil; pessimista: desequilíbrio orçamentário limita aportes em alta de inflação. Monitore custo de vida e alocação inicial mínima para equilibrar proteção e potencial de retorno.

A edição anual do Raio X da Anbima permite rastrear esses padrões; próximos dados em 2026 trarão atualizações sobre inclusão e reserva financeira, especialmente com Selic projetada em patamares neutros.