A fatia internacional do Arca Grão Previdência Advisory acumulou valorização de 105,59% desde o lançamento do fundo, no fim de 2022, enquanto o CDI subiu 62,20% no mesmo intervalo. Os dois percentuais, apresentados pela gestora, referem-se apenas a essa parcela e ao CDI — não representam o desempenho total do produto.
O fundo pertence à Grão Investimentos e ficou com o terceiro lugar na categoria de fundos de previdência multimercado da Premiação Outliers InfoMoney 2026. A terceira edição do prêmio está marcada para 28 de janeiro, no Teatro B32, na Faria Lima, em São Paulo. Segundo a gestora, o reconhecimento reflete a busca por resultados consistentes em diferentes cenários, sem depender do desempenho de um único ano.
Quatro frentes com pesos fixos
Os juros elevados no país mantêm a renda fixa no radar de quem prioriza previsibilidade e risco mais baixo. Quem planeja a aposentadoria, porém, pode deixar outros mercados de fora ao concentrar todos os recursos nessa classe — e é nesse espaço que se encaixam os fundos de previdência multimercado, com liberdade para investir em diferentes tipos de ativos.
A carteira do Arca se divide em quatro frentes: ações brasileiras, mercado imobiliário, ativos internacionais e caixa. Cada bloco tem um peso definido de antemão, e os ajustes feitos pela equipe de gestão recaem principalmente sobre os fundos e ETFs escolhidos dentro de cada fatia, em vez de mexer na alocação a cada oscilação do mercado. ETFs são fundos negociados em bolsa que, em geral, seguem índices de referência.
A meta é não depender de um único tipo de aposta. Guilherme Cadonhoto, head de Alocação da Grão Investimentos, vê no multimercado tradicional o risco de errar a classe de ativos — risco amplificado pelas dúvidas sobre juros, eleições brasileiras e cenário externo. Em ambiente de incerteza elevada, avalia o executivo, o perigo é estar do lado errado justamente quando várias classes parecem oferecer oportunidades.
Taxa de 0,59% ao ano e sem performance fee
O Arca cobra taxa de administração de 0,59% ao ano e não aplica taxa de performance — cobrança adicional que parte dos fundos faz quando supera determinada referência de rentabilidade.
Cadonhoto lembra que uma taxa de administração de 2% sai do bolso do investidor independentemente do resultado. Em fases de acerto do gestor, esse custo fica quase imperceptível, mas continua presente. O raciocínio serve para qualquer produto: quanto maior a taxa, mais o retorno líquido depende de o gestor entregar resultado.
| Item | Valor |
|---|---|
| Valorização da parcela internacional (desde o fim de 2022) | 105,59% |
| CDI no mesmo intervalo | 62,20% |
| Taxa de administração do Arca | 0,59% ao ano |
| Taxa de performance | Não cobrada |
O que observar antes de aplicar
Nos próximos meses, a gestora não pretende mudar os pesos das quatro frentes, mesmo com incertezas no campo econômico e político. Se o cenário doméstico melhorar, a casa avalia que a vantagem do fundo sobre o CDI pode crescer.
A ausência de taxa de performance retira uma camada de custo que, em outros produtos, tende a corroer parte do ganho extra; ela, no entanto, não substitui a análise da estratégia, do prazo e da tolerância a oscilações.
Para o executivo, produtos de previdência só fazem sentido com horizonte de médio e longo prazos, e quem aceita risco precisa tolerar vaivéns no valor da carteira. Custos, prazo e o conjunto de riscos do produto são os pontos que o investidor precisa pesar antes de decidir, segundo Cadonhoto. Transparência sobre onde o fundo aplica e quanto cobra é o que separa uma escolha consciente de uma aposta no escuro.
