Uma das maiores aquisições do setor farmacêutico nacional foi fechada: a Profarma (PFRM3) anunciou a compra da 4Bio Medicamentos, até então controlada pela RD Saúde (RADL3), por R$600 milhões. A operação se concretiza quando o segmento de medicamentos especiais lidera o crescimento do setor, tanto no Brasil quanto globalmente.

Termos da aquisição

Do total negociado, R$100 milhões serão quitados na data do fechamento, com o saldo em cinco parcelas anuais de R$100 milhões, cada uma corrigidas pela variação do CDI acumulado desde o fechamento até seu efetivo pagamento. A transação também prevê manutenção de um caixa líquido de R$80 milhões na 4Bio ao final do processo.

Valores finais podem variar conforme ajustes com base no endividamento líquido e no capital de giro da empresa no momento da transferência. O calendário de pagamento permite que a Profarma preserve liquidez enquanto estrutura a integração.

Estratégia de expansão

A aquisição da 4Bio representa um marco estratégico para o Grupo Profarma, consolidando nosso retorno ao mercado de Medicamentos de Especialidades

Esses são definidos como produtos com fabricação, regulamentação e distribuição mais complexas, destinados a condições médicas específicas. De acordo com executivos da Profarma, o segmento farmacêutico é hoje o de maior crescimento tanto no Brasil quanto no cenário global, justificando a retomada de presença.

Desempenho da 4Bio

Com 20 anos de operação (desde 2004), a 4Bio atua no fornecimento de medicamentos especiais e de alta complexidade, servindo desde pacientes individuais até instituições como hospitais, clínicas e operadoras de saúde. Sob controle da RD Saúde desde 2015, seu desempenho financeiro impressiona:

Métrica Valor Período
Receita anual R$3,4 bilhões 12 meses encerrados em setembro/2025
Crescimento médio anual 15% Desde 2023

O histórico de crescimento acima da média do setor indica posição competitiva consolidada, posicionando-a como ativo estratégico para o grupo adquirente.

Recursos extras para RD Saúde

Além dos R$600 milhões pela 4Bio, a RD Saúde mantém direito a receber valores adicionais:

  • R$120 milhões em superveniência ativa vinculada a Difal ICMS (diferencial de alíquotas)
  • Ganho de R$60 milhões em Imposto de Renda pela venda

A superveniência está ligada a disputa judicial com decisão favorável no STF, que ainda aguarda trânsito em julgado (momento em que não cabem mais recursos jurídicos). Somente após isso, os recursos poderão ser efetivamente recebidos.

O que isso significa para o investidor

A aquisição impacta diretamente os investidores de três maneiras:

  1. Para a Profarma, representa expansão estratégica em segmento de alto crescimento. A dívida futura pode pressionar métricas de balanço inicialmente, mas analistas acompanharão sinergias esperadas
  2. Para a RD Saúde, amplia liquidez para investimentos ou redução de alavancagem, além de ganho por imposto
  3. Para o setor farmacêutico, reforça a concentração entre players maiores, com implicações competitivas

A operação ocorre em contexto de juros altos, com Selic em 12,75% e CDI acumulando aproximadamente 13% ao ano, o que torna o mecanismo de correção de parcelas particularmente relevante.

Riscos da operação

A operação carrega os seguintes elementos de monitoramento:

  • Inadimplência: Se a Profarma enfrentar aperto financeiro, o cronograma parcelado pode gerar pressões
  • Integração: Desafios operacionais ao incorporar estrutura da 4Bio
  • Judicial: O recebimento da superveniência pela RD Saúde depende de trânsito em julgado, sem data certa para ocorrência

Perspectiva e próximos passos

O fechamento formal da operação depende das últimas aprovações regulatórias e cumprimento das condições contratuais. Investidores devem observar:

  • Notas explicativas às partes interessadas
  • Apresentações durante eventos de resultados
  • Comentários de analistas em relatórios de corretoras

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.