As ações da Raízen (RAIZ4) registram desvalorização acentuada de 8,70% por volta das 10h20 (horário de Brasília), cotadas a R$ 0,63, em reação direta ao rompimento das tratativas para aumento de capital (operação para emissão de novas ações visando reforço patrimonial) envolvendo os controladores Cosan e Shell, conforme fontes revelaram à Reuters e à Bloomberg.
Detalhes do rompimento nas negociações
A Raízen, maior produtora global de açúcar e etanol, buscava aporte via aumento de capital para mitigar pressões financeiras, mas Cosan e Shell, cada uma com 44% do capital social, não alinharam posições. Na véspera, o executivo-chefe da Shell no Brasil indicara compromisso de R$ 3,5 bilhões da petrolífera, na expectativa de contrapartida similar de outro sócio. Com o insucesso, a Shell planeja seguir adiante isoladamente com sua injeção e auxiliar nas tratativas com bancos e credores.
Aportes inicialmente propostos
Durante as discussões, Shell sinalizara R$ 3,5 bilhões, Cosan R$ 1 bilhão e Rubens Ometto, presidente da companhia e acionista relevante, R$ 500 milhões. A Cosan alegou incapacidade de equiparar o volume da Shell, enquanto propostas da holding foram vetadas pela petrolífera. Fundos do Banco BTG Pactual, também na mesa, rejeitaram condições impostas pela Shell e saíram do processo.
| Sócio | Aporte Proposto |
|---|---|
| Shell | R$ 3,5 bilhões |
| Cosan | R$ 1 bilhão |
| Rubens Ometto | R$ 500 milhões |
Pressões financeiras da Raízen
A companhia acumula prejuízos consecutivos e elevação expressiva da dívida líquida (débitos menos caixa e equivalentes de caixa), que atingiu R$ 55,3 bilhões ao fim de dezembro. Fatores incluem investimentos elevados, instabilidade climática com safras menores e incêndios florestais, impactando volumes de moagem. Em fevereiro, a Raízen alertou para "incerteza significativa" sobre continuidade operacional.
Visão do Bradesco BBI
É improvável aportes sem paridade entre acionistas controladores. Reestruturação ampla, com divisão de dívidas, injeções e ajustes operacionais, surge como via plausível.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física exposto a RAIZ4, o cenário reforça volatilidade, amplificada pelo baixo valor nominal das ações, onde oscilações mínimas em centavos geram percentuais elevados. No contexto macro, com Selic em patamares restritivos e IPCA pressionado, companhias endividadas como a Raízen enfrentam custos financeiros mais caros, agravados por câmbio volátil em commodities como etanol e açúcar. Cenário otimista envolve aporte isolado da Shell viabilizando renegociações; pessimista aponta prolongamento de incertezas patrimoniais, demandando monitoramento de balanços trimestrais e Ibovespa.
Riscos
- Dívida líquida elevada em R$ 55,3 bilhões, sensível a juros e câmbio.
- Dependência climática e safras fracas, com histórico recente de prejuízos.
- Fragilidade em negociações com credores sem apoio unânime dos controladores.
- Incerteza operacional destacada em fevereiro, questionando continuidade.
Investidores devem acompanhar evoluções nas discussões com Shell, bancos e credores, além de eventuais reestruturações sugeridas pelo Bradesco BBI, como segregação de ativos e redistribuição de ônus. Próximos balanços e safras trarão catalisadores decisivos.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
