R$ 5,5 bilhões em aporte do BTG Pactual estão em discussão para reestruturação da Raízen (RAIZ4), revelam fontes à Bloomberg. A operação envolveria os acionistas Cosan (CSAN3) e Shell, com conversão de cerca de 35% da dívida em capital através de fundos de private equity administrados pelo banco brasileiro. O movimento busca garantir alavancagem líquida de 2,0 vezes — múltiplo considerado plausível pelo JPMorgan.

Estrutura da negociação

O plano prevê separação da Raízen Energia (açúcar e etanol) da unidade de distribuição de combustíveis, que atraiu interesse de fundos do BTG Pactual. A operação incluiria venda de ativos, ofertas de ações para saída ordenada de credores e conversão de títulos de dívida corporativa em participação acionária.

Dívida e alternativas

Os analistas do Bradesco BBI destacam que o principal desafio é viabilizar o plano de virada operacional para a unidade de açúcar e etanol, enquanto a divisão de distribuição mantém liquidez. A pressão da dívida, juros elevados e safras abaixo do esperado impactaram ações e títulos desde 2022, com rebaixamentos de agências de rating.

VencimentoRecomendação JPMorganCotação atualValor de recuperação
2027-2037NeutraUS$ 50US$ 51 (cenário base)
2054OverweightUS$ 45US$ 40 (piso punitivo)
Abixo de US$ 30Opportunities-+8 pontos por US$ 1 bilhão injetado

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, o cenário depende de três fatores: aceitação dos credores à conversão, execução operacional pós-divisão e alinhamento da alavancagem (2,0x EBITDA) com benchmarks do setor. Em comparação com o JCP (Juros sobre Capital Próprio) médio de 2,16% do Ibovespa, títulos convertidos poderiam oferecer alternativas de renda fixa com spread ajustado ao risco.

Macrocondicionalmente, o contexto de Selic em 13,75% e IPCA acumulado de 11,7% (12 meses) eleva custos de captação, tornando mais valiosa a entrada de novo capital sem emissão adicional de RAIZ4. O cenário otimista prevê redução da volatilidade (índice beta de 1,4 na B3) com definição estrutural, enquanto o pessimista considera reestruturação prolongada com diluição acionária.

Riscos envolvidos

  • Risco de crédito: Ausência de injeção de capital reduz margem de manobra financeira
  • Risco operacional: Condições climáticas adversas afetam novamente a safra 2024
  • Risco regulatório: Mudanças em tributação de combustíveis impactam receita da divisão de distribuição
  • Risco cambial: Posição líquida em dólar ampliada após emissões internacionais

Perspectiva e Próximos Passos

O processo deve ser concluído em até 6 meses, com definição sobre conversão de dívida e fechamento da negociação pelo BTG Pactual (BPAC11). Investidores monitoram a reunião do Copom sobre Selic e os resultados trimestrais que demonstrarão impacto real de custos de financiamento. Qualquer desdobramento sobre saída da nota de crédito negativa (rating B1 pela Moody's) será monitorado com atenção.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.