O Bradesco (BBDC4) reportou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, 0,8% acima do trimestre anterior e 14,6% maior que um ano antes, em linha com o esperado. Na quinta-feira, o conselho de administração aprovou um programa de recompra com 18 meses de duração — o dado mais concreto de uma sexta-feira (23) em que a agenda corporativa tratou menos de crescimento e mais de dívida, caixa e risco de crédito.
O fio que liga os seis anúncios é a estrutura de capital. Recompra, resgate de debênture, amortização extraordinária e revisão de perspectiva de rating mexem com risco e custo de captação — variáveis que o mercado costuma precificar antes de qualquer nova linha de receita. Para quem tem posição nesses papéis, o que muda não é o resultado em si, mas o número de ações em circulação, o estoque de dívida e a data de cada evento.
Recompra do Bradesco pode chegar a 53,4 milhões de ON
Dentro do programa de 18 meses, o banco poderá adquirir até 53.413.506 ações ordinárias e até 53.171.375 papéis preferenciais, o equivalente a cerca de 3,55% das ON e a aproximadamente 1% das PN em circulação.
O efeito prático para o acionista é a redução da base de papéis: com menos ações dividindo o mesmo lucro, o resultado por ação tende a subir sem esforço adicional de receita. Historicamente, programas desse tipo costumam sinalizar que a administração enxerga o papel descontado em relação ao valor que atribui ao próprio negócio. O impacto final, porém, depende do ritmo de execução e do preço médio pago ao longo dos 18 meses.
Gerdau tem nota reafirmada e perspectiva para positiva
A S&P Global Ratings manteve as notas de crédito da Gerdau (GGBR4) e alterou a perspectiva de estável para positiva. Nas agências de classificação, perspectiva é a sinalização sobre a direção provável da nota nos próximos ciclos: ao migrar para positiva, ela indica chance menor de rebaixamento e maior de elevação. Para quem acompanha a siderúrgica, o elo é o custo da dívida — uma nota melhor tende a baratear captações futuras e a ampliar a base de investidores dispostos a comprar seus títulos.
Fleury resgata debêntures da 8ª emissão em 29 de outubro
O Fleury (FLRY3) fará na quinta-feira (29) o resgate antecipado facultativo de todos os papéis da oitava emissão de debêntures — títulos de dívida corporativa vendidos a investidores para captar recursos —, identificados pelo código FLRY18, e os títulos serão cancelados na sequência. A operação costuma indicar que a companhia prefere trocar uma dívida por outra mais barata ou por caixa próprio; para o debenturista, o efeito é receber antes do vencimento original.
Tahto, subsidiária da Oi, cumpre plano sob fiscalização por dois anos
O plano de recuperação judicial da Tahto, braço integral da Oi (OIBR3; OIBR4), recebeu homologação da Justiça fluminense, que também deferiu a proteção contra credores à empresa. A companhia ficará sob acompanhamento do juízo e de um administrador judicial ao longo de dois anos, com o prazo contado a partir da publicação da decisão, e nesse intervalo tem de honrar as obrigações do plano que vencerem. Com a homologação, o caso sai da fase de negociação e passa a depender do cumprimento das condições assumidas.
Enjoei leva 3.102 ações remanescentes a leilão na B3
A Enjoei (ENJU3) marcou para 26 de outubro, na B3, o leilão das 3.102 ações ordinárias que sobraram do grupamento concluído em 9 de outubro, feito na proporção de dez para uma — mecânica que reúne dez papéis em um e deixa frações para quem tinha posições quebradas. As sobras vieram do intervalo concedido aos acionistas para ajustarem suas posições, e o leilão é a etapa final para liquidar essas frações.
Americanas vende sexta loja por R$ 660,6 mil à vista
A Americanas (AMER3) concluiu a venda do sexto dos dez pontos do Hortifruti Natural da Terra previstos no contrato com o Oba Hortifruti, por R$ 660,6 mil à vista. O plano de recuperação judicial determina deduções sobre a entrada; o valor líquido foi para amortização extraordinária de debêntures da varejista, e a parte restante será quitada em 24 parcelas mensais corrigidas pela variação positiva do CDI — taxa de referência dos juros de curto prazo no país. O montante é pequeno frente à dívida renegociada; o que pesa é o ritmo: restam quatro unidades para encerrar o contrato, e cada loja vendida vira caixa para credores.
| Empresa | Ticker | Evento | Dado-chave |
|---|---|---|---|
| Bradesco | BBDC4 | Recompra de ações | até 53,4 mi ON e 53,2 mi PN em 18 meses |
| Gerdau | GGBR4 | Perspectiva de rating revisada | estável para positiva |
| Fleury | FLRY3 | Resgate da 8ª emissão | 29 de outubro |
| Oi/Tahto | OIBR3; OIBR4 | Plano de recuperação homologado | fiscalização por 2 anos |
| Enjoei | ENJU3 | Leilão de sobras do grupamento | 3.102 ações, a partir de 26 de outubro |
| Americanas | AMER3 | Venda de loja ao Oba | R$ 660,6 mil à vista |
Três datas concentram o acompanhamento na próxima semana: 26 de outubro, com o leilão da Enjoei, 29 de outubro, com o resgate do Fleury, e o horizonte de 18 meses da recompra do Bradesco, cujo ritmo só será conhecido conforme o programa avançar.
