Rede D’Or (RDOR3) registrou a maior queda do Ibovespa nesta quinta-feira (26), com recuo de 4,53% para R$ 41,55, após divulgar resultados do 4T25 abaixo das expectativas do mercado. Apesar do crescimento operacional de 16% na receita hospitalar, o lucro por ação ajustado veio 13-15% abaixo das projeções do JPMorgan, enquanto o Ebitda e lucro líquido ficaram 5% abaixo do esperado pelo Bradesco BBI, segundo analistas.
Resultado operacional: crescimento com margem apertada
O setor hospitalar da Rede D’Or mostrou vitalidade com crescimento de 16% ao ano na receita, aceleração frente ao trimestre anterior. No entanto, a rentabilidade sofreu pressão, refletida na margem Ebitda hospitalar, que ficou 1,2 pontos porcentuais (p.p.) abaixo da estimativa do Bradesco BBI, atribuída à redução na geração de caixa operacional.
Para o Itaú BBA, parte do crescimento foi impulsionado pelo aumento do ticket médio, especialmente em cirurgias e oncologia, mas a complexidade dos procedimentos impactou negativamente as margens.
Pesos nas despesas operacionais
O JPMorgan destacou que as despesas na SulAmérica excederam projeções, resultantes de provisões elevadas para processos cíveis. Paralelamente, as despesas financeiras líquidas cresceram 35% anualmente, superando em 20% a expectativa do Bradesco BBI e explicando parte da reação negativa do mercado às ações.
Segmento de seguros: SulAmérica sob pressão
O desempenho da SulAmérica contrastou com a saúde hospitalar, com retração no ticket médio e pressão sobre custos operacionais. Destacam-se o salto de 132% nas provisões para contingências e incremento de 44% nas despesas com terceiros em 12 meses.
Divergências na análise do MLR
Há divergência entre instituições quanto ao desempenho da seguradora. O JPMorgan considerou o Índice de Sinistralidade (MLR) da SulAmérica uma surpresa positiva, mas o Bradesco BBI vinculou o MLR favorável à redução de provisões de IBNR (Sinistros Ocorridos, mas Não Avisados), apontando possível ajuste posterior.
Ocupação hospitalar acima da média
Apesar de uma redução sazonal de 92 leitos, a taxa de ocupação hospitalar atingiu 76,9%, superando a média histórica para o período, conforme o Itaú BBA. O dado sinaliza eficiência operacional mantida, apesar das pressões de margem.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor brasileiro PF, o balanço da Rede D’Or revela um cenário misto com indicadores de fortalecimento da demanda e ticket médio elevado, mas com riscos sobre custos e rentabilidade. Em um ambiente macro de Selic estável e inflação-controlada, empresas com gestão eficiente de caixa e baixa alavancagem financeira costumam atrair compradores nas quedas de mercado. A reação do papel abaixo da média histórica (R$ 41,55 vs R$ 48,22 média de preços-alvo recentes) pode abrir espaço para correção técnica, mas requer monitoramento de despesas e rentabilidade nos próximos balanços.
Riscos
- Continuidade do crescimento nas despesas financeiras
- Pressão sobre margens hospitalares com procedimentos complexos
- Volumes de provisões para riscos cíveis da SulAmérica
- Revisão do MLR caso se confirme menor contribuição de IBNR
Perspectiva e Próximos Passos
O foco do mercado segue voltado ao ritmo da reversão operacional dos custos não recorrentes e melhoria da rentabilidade ajustada à nova realidade de complexidade dos serviços. A próxima atualização de guidance deve ocorrer por volta das divulgações do 1T26, período que pode servir para validar se a correção acionária representa oportunidade ou alerta de risco sustentável.
