Aprovação definitiva do OCC

A Ripple recebeu do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), o regulador bancário federal dos Estados Unidos, a licença definitiva para o Ripple National Trust Bank (RNTB). Trata-se da aprovação final que faltava para a empresa operar uma estrutura fiduciária supervisionada em nível federal no país. O anúncio ocorreu na segunda-feira e encerra um caminho que começou com uma autorização condicional em dezembro de 2025.

O que muda na operação

Com a licença em mãos, o RNTB passa a gerir o colateral que sustenta o Ripple USD (RLUSD), stablecoin da Ripple atrelada ao dólar. Também fica apto a guardar as garantias que respaldam as posições dos detentores do token e a prestar serviços de guarda de ativos digitais a clientes institucionais.

A emissão do RLUSD, porém, permanece sob responsabilidade da Standard Custody & Trust Company, estrutura de propósito limitado da Ripple fiscalizada pela autoridade financeira do estado de Nova York. Ou seja: a custódia e o lastro ficam com o RNTB; a emissão segue sob regulador estadual. É uma divisão relevante para quem acompanha o desenho de compliance das stablecoins — cada função em uma entidade distinta, com regulador próprio.

Brad Garlinghouse, CEO da Ripple, escreveu no X na segunda-feira que a combinação entre cripto e bancos é o caminho para inovação com responsabilidade e supervisão federal. A declaração reforça o posicionamento da empresa em direção ao sistema financeiro tradicional.

A corrida pela licença federal

A Ripple não está sozinha nessa fila. A Circle, dona do USDC, conquistou o aval definitivo do regulador em julho. A Coinbase teve sinal verde preliminar em abril. Já a Crypto.com e a Bridge, braço de infraestrutura de pagamentos da Stripe, entraram na fase condicional em fevereiro.

EmpresaStatus no OCCPeríodo
CircleAprovação finaljulho
Ripple (RNTB)Aprovação finaloutubro de 2026
CoinbaseAprovação preliminarabril
Crypto.comAprovação condicionalfevereiro
Bridge (Stripe)Aprovação condicionalfevereiro

A tabela resume o que o setor chama de corrida pela charter federal — a licença bancária que permite operar custódia de cripto sob supervisão de Washington, em vez de depender apenas de reguladores estaduais. Quanto mais cedo a empresa entra nesse clube, mais cedo consegue oferecer serviços a clientes institucionais que exigem uma contraparte regulada por autoridade federal.

Banco fiduciário não é banco comercial

No modelo americano, um banco fiduciário nacional recebe autorização federal para custodiar e gerir bens de clientes. Diferente de um banco comercial, em geral não recebe depósitos nem empresta dinheiro, e não conta com a cobertura do FDIC, o fundo americano de garantia de depósitos. O formato é o mesmo usado por grandes gestores de fortuna e custodiantes tradicionais.

Para o investidor pessoa física, a mudança não altera o funcionamento do RLUSD nem o preço do XRP no curto prazo. O impacto é de natureza institucional: a aprovação reforça a tese de que o mercado cripto está sendo absorvido pelo sistema financeiro regulado — e isso tende a reduzir o prêmio de risco que gestores exigem para alocar nesse tipo de ativo. Também cria um precedente para que outras empresas do setor peçam a mesma licença, o que amplia a infraestrutura de custódia disponível para fundos e family offices brasileiros que operam stablecoins no exterior.

O que observar daqui para frente

Restam duas frentes relevantes. A primeira é a operação efetiva do RNTB — a licença é o começo, não o fim, e a execução vai definir a capacidade de atrair clientes institucionais. A segunda é o ritmo das demais aprovações: Coinbase, Crypto.com e Bridge ainda estão em fases intermediárias, e cada avanço redefine o mapa competitivo da custódia cripto nos EUA.