Em uma movimentação estratégica que agitou o mercado financeiro, o Banco Safra atualizou suas projeções para os quatro gigantes do setor bancário listados na B3. A principal mudança na tese de investimentos da instituição foi a promoção do Bradesco (BBDC4) ao posto de ação favorita (“top pick”), substituindo o Itaú Unibanco (ITUB4), que ocupava essa posição anteriormente. A análise, assinada pelos especialistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, aponta para uma melhora significativa na qualidade operacional do banco de Osasco.

A revisão não apenas alterou a ordem de preferência, mas também trouxe novos preços-alvo e estimativas de lucro para o biênio 2026-2027. Segundo os analistas do Safra, o cenário para os bancos brasileiros exige uma análise minuciosa da eficiência operacional e do controle de inadimplência, fatores que pesaram decisivamente na nova configuração da carteira recomendada.

Bradesco (BBDC4): O novo protagonista do Safra

Após um período desafiador marcado pela deterioração da carteira de crédito e alta na inadimplência, o Bradesco (BBDC4) parece ter encontrado o caminho da recuperação. O Banco Safra estabeleceu uma recomendação de compra com preço-alvo de R$ 26,00, o que representa um potencial de valorização de 30% frente às cotações atuais.

Os analistas destacam que o plano de reestruturação implementado há dois anos já colhe frutos visíveis, especialmente na frente de custos. Entre os pontos positivos ressaltados, estão:

  • Redução da presença física: O fechamento de 25% das agências nos últimos 24 meses otimizou a estrutura de custos.
  • Controle de despesas: Queda nas despesas administrativas e um crescimento controlado de 4,4% nos gastos com pessoal projetados para 2025.
  • Crescimento da carteira: A estimativa de expansão nos empréstimos foi elevada para 9,5% ao ano, com foco em Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

Para o Safra, embora o processo de “turnaround” não esteja totalmente concluído, a oportunidade de ganho de capital deve ficar ainda mais evidente para o investidor até 2027.

Itaú Unibanco (ITUB4): Resiliência e eficiência

Mesmo perdendo o título de favorito para o Bradesco, o Itaú Unibanco (ITUB4) continua com recomendação de compra e um preço-alvo robusto de R$ 55,00, sugerindo um potencial de alta de 26%. Os analistas ponderam que a valorização de 52% acumulada nos últimos 12 meses já precifica parte do sucesso do banco, mas a eficiência operacional permanece como um diferencial competitivo.

O Safra projeta que o Itaú entregará lucros líquidos crescentes: R$ 51,5 bilhões em 2026 e R$ 56,1 bilhões em 2027. A tese central reside na capacidade do banco em manter o crescimento das despesas operacionais abaixo da inflação (IPCA), o que deve impulsionar a rentabilidade nos próximos anos.

Banco do Brasil (BBAS3) e o impacto do Agronegócio

Para o Banco do Brasil (BBAS3), a postura do Safra é de neutralidade, com preço-alvo de R$ 28,00 (potencial de 8,3%). O principal freio para uma recomendação mais agressiva é a situação do setor de agronegócio, que apresentou deterioração desde o início de 2025.

Embora a diretoria do banco sinalize uma recuperação gradual a partir do segundo trimestre de 2026, as estimativas de lucro do Safra para o BB estão entre 9% e 12% abaixo do consenso de mercado. O cenário sugere que, para o investidor de BBAS3, a ausência de notícias negativas já pode ser considerada uma vitória no curto prazo.

Santander Brasil (SANB11): O desafio do ROE

O Santander Brasil (SANB11) também recebeu recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 41,00 e potencial de 28%. O foco do mercado está na meta da gestão de retornar o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) para o patamar de 20% até 2028.

Entretanto, o Banco Safra alerta para os riscos dessa trajetória. A recuperação da rentabilidade depende excessivamente do controle rígido de gastos e de um crescimento de receita que ainda se mostra lento. Caso as despesas operacionais voltem a acelerar, o banco poderá enfrentar uma compressão de lucros indesejada.

Panorama de Mercado: Petrobras e BTG Pactual

Além das movimentações no setor bancário tradicional, o mercado financeiro brasileiro acompanha outros marcos importantes. Recentemente, a Petrobras (PETR3; PETR4) superou a marca de R$ 600 bilhões em valor de mercado, impulsionada pela valorização do petróleo tipo Brent no mercado internacional.

No campo das fusões e aquisições, o BTG Pactual (BPAC11) mantém seu apetite por expansão, negociando a compra do Banco Digimais. Esses eventos reforçam o dinamismo do cenário corporativo brasileiro, influenciando diretamente as decisões de alocação dos grandes gestores.

O que muda para os investidores

A atualização do Banco Safra indica uma clara mudança de ciclo dentro do setor financeiro. Enquanto Itaú e Banco do Brasil já entregaram boa parte de sua valorização ou enfrentam ventos contrários setoriais, o Bradesco surge como a tese de "recuperação" para quem busca maior alfa (retorno acima da média).

O investidor deve atentar-se aos seguintes pontos práticos:

  • Setor Bancário: Continua sendo o porto seguro para dividendos, mas a escolha do ativo agora foca em potencial de valorização de tela.
  • Custo de Capital: A eficiência operacional (fazer mais com menos) tornou-se o principal indicador para diferenciar os vencedores no atual cenário de juros.
  • Riscos: Fatores macroeconômicos e a saúde do crédito para PMEs e Agronegócio devem ser monitorados trimestralmente nos balanços.

Em suma, a nova configuração proposta pelo Safra coloca o Bradesco sob os holofotes, sugerindo que o banco de capital privado mais tradicional do país está finalmente pronto para reduzir o hiato de performance em relação aos seus pares.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.