O Safra refez quatro das dez posições de sua carteira recomendada de ações para novembro, depois de a seleção perder 10,05% em outubro — desempenho um pouco pior que a desvalorização de 9,88% do Ibovespa no mesmo mês, com os proventos reinvestidos. O relatório mensal do banco informa que a carteira passa a operar com beta de 0,91; o indicador mede a tendência de oscilação de uma carteira diante do índice de referência, e um valor abaixo de 1 aponta sensibilidade menor que a do mercado.

A nova formação amplia o espaço de companhias pagadoras de dividendos e reduz a exposição a teses mais dependentes de juros baixos ou de forte volume de investimentos. Entram Itaúsa (ITSA4), Suzano (SUZB3), TIM (TIMS3) e Eneva (ENEV3). Saem B3 (B3SA3), Gerdau (GGBR4), Rede D'Or (RDOR3) e Copel (CPLE3).

Quatro substituições e um beta abaixo de 1

A quantidade de papéis não muda — a lista continua com dez ações —, mas o risco é redistribuído entre elas.

AtivoTickerO que muda em novembro
ItaúsaITSA4entra com a maior fatia, de 15%
TIMTIMS3entra com 8%, no lugar da Rede D'Or
SuzanoSUZB3entra na vaga da Gerdau
EnevaENEV3entra no lugar da Copel
B3B3SA3sai da seleção
GerdauGGBR4sai da seleção
Rede D'OrRDOR3sai da seleção
CopelCPLE3sai da seleção
ValeVALE3permanece, com peso cortado de 10% para 7,5%

Itaúsa estreia com 15% e TIM com 8%

A holding — companhia cujo valor vem das participações que mantém em outras empresas — recebe 15%, a maior fatia da nova composição. O Safra aponta que o desconto com que a Itaúsa é negociada frente ao Itaú, seu principal ativo, ficou maior durante outubro, e vê na controladora do banco resiliência em períodos de juros elevados, espaço para elevar a rentabilidade e rigor na qualidade do crédito.

A TIM entra com 8%: a projeção de retorno com proventos é de 12% em 2027, e a equipe enxerga os primeiros indícios de que a disputa entre as teles está menos acirrada. A operadora ocupa o lugar da Rede D'Or. O Safra segue vendo com bons olhos a execução e a carteira de projetos da rede hospitalar, mas avalia que a alta dos juros de mercado em outubro pede postura mais defensiva diante do volume de investimentos previsto na tese.

Suzano troca Gerdau e Eneva assume a vaga da Copel

A troca da Gerdau pela Suzano combina dois fatores: a perspectiva mais favorável para a celulose, depois dos anúncios de reajuste de preços, e a exposição da companhia ao dólar. A fabricante fatura sobretudo em moeda americana enquanto boa parte dos custos está em real; com o real mais fraco, os resultados e o caixa tendem a melhorar — o que pode encurtar o caminho do desendividamento e deixar mais espaço para distribuir lucro ao acionista.

Na Eneva, a correção das ações em outubro é apontada como a janela que abriu espaço para entrar na vaga da Copel. O Safra valoriza a receita fixa dos contratos de longo prazo, com correção pela inflação, e o fato de a dívida da companhia depender pouco da Selic — a taxa básica de juros da economia. A entrada de novos empreendimentos em operação deve reforçar o caixa e o resultado já nos próximos meses.

Vale perde 2,5 pontos de peso e cinco nomes seguem na lista

A Vale continua na seleção com fatia menor: o peso passou de 10% para 7,5% após a divulgação dos resultados trimestrais, e a visão sobre produção e custos da mineradora segue favorável. A expectativa da equipe é de caixa robusto, cenário que combina o real mais fraco com o minério cotado na faixa de US$ 90 a US$ 100 por tonelada.

As outras cinco posições mantidas são WEG (WEGE3), Caixa Seguridade (CXSE3), Petrobras (PETR4), Iguatemi (IGTI11) e Equatorial (EQTL3).

O que o beta menor muda para quem acompanha a carteira

Com beta de 0,91, a carteira tende a captar menos intensidade tanto nas quedas quanto nas altas do Ibovespa. Para o investidor que acompanha a seleção pelo prisma do risco, a proteção relativa em meses de estresse costuma cobrar preço em meses de euforia, e trocar parte do retorno potencial por fluxo de proventos tem exatamente essa contrapartida.

O histórico recente ilustra a diferença de comportamento. Em outubro, a carteira caiu 10,05%, pouco acima do 9,88% do Ibovespa — ou seja, a proteção não apareceu justamente no mês em que o mercado recuou. No acumulado de 2026, a seleção ainda está à frente, com 5,64% contra 4,22% do índice, nos dois casos com dividendos reinvestidos. Resultado passado não antecipa os próximos meses, e a carteira continua exposta a oscilações de bolsa, câmbio e juros.