A Samarco, joint venture entre Vale (VALE3) e BHP, fechou 2025 com prejuízo líquido de US$ 4,61 bilhões, valor superior aos US$ 2,57 bilhões negativos de 2024, principalmente por despesas e efeitos cambiais atrelados ao Novo Acordo de Reparação do Rio Doce, firmado em 2024 após o rompimento da barragem de Fundão em 2015.
Desempenho Financeiro
A receita líquida alcançou US$ 1,90 bilhão, crescimento de 30% em relação a 2024, apoiado pela estabilidade operacional e volume recorde de 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro desde a retomada das atividades em 2020. O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com exclusão de itens não recorrentes) subiu para US$ 1,09 bilhão, contra US$ 834 milhões no exercício anterior.
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Prejuízo Líquido (US$ bi) | 2,57 | 4,61 | - |
| Receita Líquida (US$ bi) | - | 1,90 | +30% |
| EBITDA Ajustado (US$ bi) | 0,834 | 1,09 | + |
Contexto Operacional e Histórico
Após o colapso da barragem em Mariana (MG) em 2015, que causou 19 mortes, centenas de desabrigados e contaminou o rio Doce até o litoral do Espírito Santo, a Samarco paralisou por cinco anos. A empresa opera atualmente a 60% de sua capacidade instalada, refletindo avanços na normalização produtiva desde 2020.
Obrigação de Reparação Socioambiental
O Novo Acordo de Reparação, de 2024, impôs novas responsabilidades financeiras e socioambientais. Em 2025, a mineradora destinou cerca de US$ 4 bilhões a obrigações de fazer (ações de reparação e compensação) e US$ 2 bilhões a obrigações de pagar (desembolsos diretos), assumindo total execução das medidas relativas ao desastre.
Recuperação Judicial e Investimentos
Em agosto de 2025, a Samarco concluiu seu processo de recuperação judicial (RJ), mecanismo legal para reestruturação de dívidas, após saldar compromissos com credores e acionistas. Isso libera acesso ao crédito. O plano prevê aportes de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,8 bilhões) até 2028, visando plena capacidade produtiva de 100%, conforme deliberação do conselho.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física exposto indiretamente via VALE3, o balanço evidencia tensão entre recuperação operacional e ônus regulatórios persistentes. Cenário otimista depende de ramp-up suave para 100% de capacidade, potencializando receitas com minério de ferro em alta global; pessimista agrava-se com oscilações cambiais sobre passivos em dólar, num contexto de Selic em queda mas IPCA pressionado e real volátil frente ao dólar. Fatores a monitorar incluem cumprimento do plano de investimentos e evolução do acordo de reparação, que impactam alavancagem e fluxo de caixa da controladora Vale.
Riscos
- Passivos socioambientais elevados, com US$ 6 bilhões alocados em 2025 para reparações.
- Variações cambiais ampliando despesas em reais equivalentes.
- Desafios regulatórios remanescentes do rompimento de 2015, podendo gerar novas obrigações.
- Dependência de ramp-up operacional para compensar prejuízos.
Adiante, acompanhe o desdobramento dos investimentos até 2028 e indicadores trimestrais de produção e EBITDA, que sinalizarão a sustentabilidade da reestruturação financeira pós-RJ.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
