A Sanepar (SAPR11) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 361,4 milhões, um recuo de 12,5% frente ao mesmo período de 2024. Apesar do declínio nos resultados operacionais, a empresa de saneamento destaca redução significativa de sua dívida líquida para R$ 1,78 bilhão, com alavancagem medida por dívida líquida/EBITDA caindo de 1,6x para 0,6x em doze meses.
Receita e desempenho operacional
O faturamento líquido da companhia atingiu R$ 1,89 bilhão no período, representando uma alta de 6,5% em relação ao 4T24. Porém, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) manteve-se praticamente estável em R$ 756,3 milhões, com variação negativa de 0,5% na comparação anual. O resultado operacional, por sua vez, caiu 3,6% para R$ 590,2 milhões, enquanto a margem EBITDA recuou 2,8 pontos percentuais (p.p.) para 40,0%.
| Métrica | 4T25 | 4T24 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita líquida (R$ bi) | 1,89 | 1,78 | +6,5% |
| EBITDA (R$ mi) | 756,3 | 760,2 | -0,5% |
| Lucro líquido (R$ mi) | 361,4 | 413,0 | -12,5% |
Dívida e indicadores de eficiência
O principal destaque positivo encontra-se na estrutura de capital. A dívida líquida da Sanepar registrou queda de 56% em doze meses, saindo de R$ 4,04 bilhões para R$ 1,78 bilhão. Esta redução drástica impulsionou a melhoria na métrica de alavancagem, que agora opera em 0,6x EBITDA, patamar considerado conservador pelo setor. Para contexto, a média do setor de concessionárias está em torno de 2,5x EBITDA, segundo estudos recentes.
Retornos acionários
Os indicadores de retorno permaneceram em níveis robustos. O ROE anualizado (retorno sobre o patrimônio líquido) atingiu 18,0%, enquanto o ROIC (retorno sobre o capital investido) ficou em 12,0%. Esses números sinalizam boa geração de valor para acionistas e posição competitiva frente a outros ativos do mesmo segmento.
O que isso significa para o investidor
A combinação de dívida reduzida e indicadores de retorno elevados pode atrair investidores que buscam estabilidade em utilities, especialmente em cenário de Selic em 12,75% e inflação controlada (IPCA acumulado de 4,6% em 2024). A margem EBITDA sustentada acima de 40% reflete eficiência operacional, embora o recuo no lucro líquido seja um alerta para possíveis desafios no repasse de custos ou investimentos não monetizados. Para 2025, o investidor deve monitorar eventuais revisões nas tarifas reguladas e impacto de novos projetos de infraestrutura anunciados.
Dados para vigilância
Os principais riscos incluem:
- Impactos de fatores climáticos extremos (chuvas abaixo da média em 2024 afetaram 30% da capacidade hídrica no Paraná)
- Alterações regulatórias no setor de saneamento básico
- Pressões por reajustes tarifários limitados pelo controle de inflação
O próximo trimestre trará informações relevantes sobre a efetivação de investimentos em expansão de redes. A empresa também precisa renovar contratos de concessão em 12 municípios até 30 de setembro de 2025, prazo crítico para definição de fluxos futuros de caixa.
