O Santander redefiniu a avaliação da Sabesp (SBSP3) após a aprovação do desdobramento de ações na proporção de 1 para 5. A instituição financeira reduziu o preço-alvo de R$ 176,39 para R$ 35,22 por papel, movimento puramente matemático decorrente da alteração na quantidade de ativos em circulação, e manteve a classificação outperform, que indica expectativa de desempenho superior à média do mercado e equivale a recomendação de compra. No pregão da última terça-feira (28), às 12h30, o ativo operava com valorização de 1,39%, cotado a R$ 33,45.

A mecânica do desdobramento e o realinhamento de metas

O split, aprovado sem modificação no capital social, foi estruturado para conferir maior liquidez e acessibilidade aos papéis da concessionária. A operação prevê a emissão de quatro novas ações para cada título mantido por investidores na data-base de 28 de abril. A partir de 29 de abril, os ativos passaram a ser negociados na condição ex-desdobramento. O crédito efetivo nas carteiras ocorre em 30 de abril, com o ajuste definitivo na posição consolidada apenas em 4 de maio. O banco deixou claro que a revisão da métrica de target reflete exclusivamente a nova arquitetura acionária, mantendo inalteradas as premissas fundamentais da companhia.

Projeções operacionais e ciclo de investimentos

A casa de análise projeta aceleração relevante na geração de valor entre 2026 e 2027. A trajetória esperada para os principais indicadores é detalhada abaixo:

IndicadorProjeção 2026Projeção 2027
ReceitaR$ 25,1 bilhõesR$ 30,4 bilhões
EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)R$ 15,4 bilhõesR$ 20,6 bilhões
EBIT (Lucro antes de juros e impostos)R$ 13,5 bilhõesR$ 18,2 bilhões
Lucro LíquidoR$ 6,5 bilhõesR$ 10,2 bilhões
FCFE (Fluxo de Caixa Livre aos Acionistas, caixa disponível após investimentos)-R$ 7,2 bilhões-R$ 3,4 bilhões
Dívida LíquidaR$ 35,5 bilhõesR$ 42,2 bilhões

O comportamento do FCFE em território negativo espelha um ciclo intenso de capex voltado para a universalização de serviços e modernização da infraestrutura de saneamento, direcionando o caixa para reinvestimento ao invés de distribuição imediata.

Múltiplos de valuation e expectativa de remuneração

A melhora nos indicadores operacionais deve comprimir os múltiplos de avaliação, sinalizando que o mercado precifica o crescimento futuro. A dinâmica de valuation e endividamento segue a projeção abaixo:

Métrica20262027
P/L (Preço sobre Lucro, múltiplo que indica quanto se paga por cada real de lucro)17,9 vezes11,3 vezes
EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA, métrica que considera a estrutura de capital)9,8 vezes7,7 vezes
Alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA)2,3 vezes2,0 vezes
Dividend Yield (Rendimento percentual de proventos sobre o preço)2,8%4,4%

O que isso significa para o investidor

A reconfiguração acionária busca atrair um espectro mais amplo de investidores pessoa física, reduzindo o ticket de entrada e facilitando a execução de ordens no mercado secundário. No plano macroeconômico, a compressão dos múltiplos de P/L e EV/EBITDA está alinhada a um ambiente de taxa de juros ainda relevante, que exige eficiência operacional das concessionárias de serviços públicos. A trajetória projetada de queda na alavancagem, mesmo com aumento da dívida absoluta, indica que a geração de caixa operacional deve crescer em ritmo superior ao endividamento, aspecto determinante para a manutenção do rating creditício e o acesso a financiamentos com custo competitivo no BNDES e mercados internacionais.

Fatores de Atenção e Riscos

  • Ciclo de investimento prolongado: O FCFE negativo por dois anos consecutivos restringe o caixa livre imediato, priorizando a expansão física da rede em detrimento da distribuição acelerada.
  • Pressão sobre o passivo: O crescimento da dívida líquida para R$ 42,2 bilhões demanda disciplina orçamentária para evitar a deterioração da métrica de alavancagem caso os marcos de capex não sejam cumpridos.
  • Risco de execução regulatória: A compressão dos múltiplos depende da entrega dos resultados projetados e da estabilidade das diretrizes tarifárias nos contratos de concessão vigentes.

O acompanhamento do calendário corporativo até 4 de maio, quando a posição ajustada ficará visível nas corretoras, será essencial para a precificação dos novos fluxos. O mercado monitorará os relatórios trimestrais para validar a curva de crescimento do EBITDA e o ritmo de aplicação de capital na malha hídrica.