O Santander ajustou sua recomendação para a TIM (TIMS3), elevando-a de neutra para outperform — classificação que equivale a compra — após a forte correção nos papéis do setor de telecomunicações registrada logo após a divulgação dos balanços do primeiro trimestre de 2026. A mudança de posicionamento vem acompanhada de um preço-alvo de R$ 26 para o encerramento de 2026, sinalizando uma margem de valorização próxima de 32% sobre as cotações vigentes.

Reposicionamento Estratégico para a TIM (TIMS3)

Apesar das dúvidas iniciais geradas pela desaceleração no ritmo de crescimento das receitas e pela expansão das despesas operacionais no 1T26, a casa de análise mantém a visão de que a operadora possui estrutura para honrar o guidance (projeções financeiras oficiais da gestão) para este ano, ainda que os indicadores finais se alinhem mais ao piso das metas originalmente traçadas. Segundo os analistas Felipe Cheng e Cesar Davanco, a atratividade do papel é sustentada por projeções de 11% de rendimento em fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) e um dividend yield (percentual de proventos distribuídos em relação ao preço da ação) estimado em 10,5% para 2026. A reversão de valorização depende, principalmente, do restabelecimento da disciplina tarifária no mercado doméstico e da normalização dos custos de rede e interconexão nos próximos trimestres.

Vivo (VIVT3): Blindagem Operacional e Fluxo de Caixa

A Vivo (VIVT3) permanece como a escolha prioritária do banco para o segmento de telecomunicações na América Latina. A instituição reforçou a tese de compra e reiterou o preço-alvo de R$ 42 para dezembro de 2026, apontando para um retorno total aproximado de 39%. O diferencial estratégico reside na maior resiliência diante de um ambiente macroeconômico volátil, aliada à expectativa de entregas consistentes no segundo trimestre. A projeção indica expansão real de faturamento, redução na intensidade de investimentos (capex, ou gastos de capital em infraestrutura) e geração robusta de caixa. Adicionalmente, o banco projeta a aceleração na alienação de ativos não estratégicos, como infraestrutura de cobre e portfólio imobiliário, a partir do segundo trimestre. Nos patamares atuais, a ação reflete um fluxo de caixa livre próximo a 10% e rendimento de dividendos em torno de 8% para o exercício corrente.

Comparativo de Métricas e América Móvil (AMX)

A América Móvil (AMX) mantém classificação neutra, decisão atrelada estritamente ao valuation (cálculo de preço justo do ativo com base em múltiplos e projeções). O papel já acumula expressiva valorização no ano e opera com ágio significativo frente aos pares regionais, limitando o atrativo de novas entradas no curto prazo.

AtivoRecomendaçãoPreço-Alvo 2026Potencial de RetornoFCFE YieldDividend Yield
TIMS3Compra (Outperform)R$ 26~32%11%10,5%
VIVT3CompraR$ 42~39%~10%~8%

O que isso significa para o investidor

A recalibração das teses por grandes bancas reflete uma migração de capital para infraestrutura com geração previsível de caixa e remuneração via proventos. Em um cenário de taxa Selic em patamares elevados e pressão do IPCA sobre os custos operacionais, a busca por ativos defensivos na B3 se intensifica. Companhias com yield superiores a 8% e disciplina de investimentos oferecem proteção real contra a corrosão do poder de compra, competindo diretamente com títulos de renda fixa atrelados ao CDI. O ajuste operacional esperado nas operadoras pode mitigar a compressão de margens, mas exige monitoramento contínuo da capacidade de repasse de despesas para o consumidor final e do ritmo de desinvestimentos.

Riscos e Fatores de Atenção

  • Incapacidade de restabelecer a disciplina tarifária no mercado competitivo de telecomunicações.
  • Desaceleração persistente no crescimento das receitas recorrentes.
  • Pressão sustentada nos custos de infraestrutura de rede e interconexão.
  • Volatilidade macroeconômica que impacte o poder de compra das bases de clientes das operadoras.
  • Atrasos na execução dos cronogramas de alienação de ativos pela Vivo.

Perspectiva e Próximos Passos

O mercado voltará a atenção para os relatórios do segundo trimestre de 2026, momento esperado para validar a normalização das despesas e a execução do programa de desinvestimentos da Vivo. A confirmação das metas de geração de caixa livre e a manutenção dos cronogramas de vendas de ativos serão os catalisadores determinantes para a reavaliação dos múltiplos do setor no segundo semestre.