Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (25), a São Martinho S.A. (B3: SMTO3) apresentou oficialmente seu guidance de produção e investimentos para a safra 2026/27 (12M27). A companhia prevê alta de 10,7% na geração de Açúcar Total Recuperável (ATR) na operação de cana-de-açúcar e um orçamento total de capex (gastos de capital) de R$ 2,9 bilhões, refletindo a normalização climática, a expansão de área via aquisição de ativos da Usina Santa Elisa e a continuidade do cronograma de expansão do etanol de milho.
Produção: cana em alta e ajuste no etanol de milho
Para a operação de cana-de-açúcar, a meta é moer cerca de 23,7 milhões de toneladas (+7,9% ante a safra anterior), resultando em 3,37 milhões de toneladas de ATR (+10,7%) e um teor médio de 142,5 kg por tonelada de cana (+2,5%). O resultado positivo é sustentado por três pilares: recuperação do canavial com chuvas normalizadas no entressafra, ampliação da área colhida após a compra parcial dos ativos biológicos da Usina Santa Elisa e padronização de práticas agrícolas com variedades genéticas mais produtivas.
Já a planta de etanol de milho terá leve retração operacional. A estimativa aponta processamento de 495 mil toneladas de milho (-5,0%), gerando 364,3 mil toneladas de ATR, 209 mil m³ de etanol (-5,4%), 134 mil toneladas de DDGS (-3,1%) e 8 mil toneladas de óleo de milho (-0,3%). A redução é estratégica e decorre de uma parada de manutenção estendida na Unidade Boa Vista para implementação da segunda fase do projeto, mantendo a eficiência industrial nos patamares da safra 2025/26.
Investimentos (Capex) somam R$ 2,9 bilhões
O orçamento de investimentos para a safra 12M27 cresce 5,1% em relação ao período anterior, distribuído em três frentes estratégicas:
- Capex de Manutenção: R$ 2,0 bilhões (+1,3%), impulsionado pela normalização de plantio, tratos culturais e manutenção agroindustrial na área expandida.
- Melhoria Operacional: R$ 149,9 milhões (-11,2%), refletindo o cronograma planejado e menor necessidade de reposição de frotas agrícolas e industriais.
- Modernização e Expansão: R$ 800,0 milhões (+20,7%), alocados majoritariamente no desembolso da segunda fase do etanol de milho, aprovado na safra 2025/26.
O que muda para investidores
O guidance sinaliza um ciclo de escala operacional e maturação de projetos. A expansão na moagem e o ganho de produtividade agrícola devem reforçar a geração de caixa operacional, enquanto a alocação de R$ 800 milhões em expansão demonstra aposta estrutural na diversificação da matriz para o milho. A queda pontual no etanol de milho é temporária e visa ganhos de eficiência de longo prazo após a modernização em Boa Vista. Analistas e acionistas devem acompanhar a execução do cronograma de investimentos e as condições climáticas, já que o documento oficial reforça que premissas operacionais e do mercado podem impactar materialmente a concretização das projeções.
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