A frota de veículos eletrificados consolida uma mudança estrutural no mercado securitário brasileiro. Em abril de 2026, carros híbridos e totalmente elétricos somaram 16,1% das solicitações de cotação de seguro, proporção que supera em mais de três vezes os patamares registrados no início da série histórica. Esse deslocamento reflete não apenas a preferência do consumidor, mas exige ajustes imediatos na modelagem de risco e na precificação de apólices pelas seguradoras.
Evolução das Cotações por Propulsão
O levantamento do IPSA (Índice de Preço do Seguro de Automóvel), elaborado pela TEx, unidade da Serasa Experian dedicada ao setor, detalha a rápida substituição dos motores a combustão. No início do monitoramento, em novembro de 2024, os veículos movidos a gasolina dominavam 93,6% do mercado de cotações. Naquele momento, os híbridos representavam apenas 2,4% e os elétricos, 1,1%. Doze meses depois, em abril de 2026, os modelos a gasolina recuaram para 79,2%. Simultaneamente, os híbridos atingiram 7,1% e os elétricos alcançaram 9%, ultrapassando os híbridos pelo segundo mês consecutivo — fato inédito no histórico do índice.
| Propulsão | Novembro 2024 | Abril 2026 |
|---|---|---|
| Gasolina | 93,6% | 79,2% |
| Híbridos | 2,4% | 7,1% |
| Elétricos | 1,1% | 9,0% |
Dinâmica de Precificação e Custos
A transição energética também altera o valor dos prêmios, termo que designa o preço pago pelo segurado para manter a cobertura ativa. O IPSA geral encerrou abril em 4,5%, o menor patamar de toda a série. Ao separar por tipo de propulsão, os híbridos apresentaram a taxa média mais baixa, de 2,5%, enquanto os elétricos registraram 3,7%, o índice mais elevado entre as categorias analisadas. O indicador considera automóveis com até dois anos de fabricação e utiliza metodologia que pondera gênero, faixa etária, região geográfica e tempo de uso (veículos com até 10 anos). Para ilustrar o cálculo: uma alíquota de 4% sobre um veículo de R$ 50.000 gera um custo de seguro de R$ 2.000.
Aceleração no Mercado Automotivo
A dinâmica do seguro acompanha o desempenho das concessionárias. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), os emplacamentos de modelos eletrificados praticamente dobraram no primeiro quadrimestre de 2026 frente ao mesmo intervalo de 2025. A expansão foi liderada pelos elétricos puros, que registraram alta superior a 170%, embora os híbridos mantenham a liderança em volume absoluto de comercializações.
“Os híbridos abriram caminho para essa transição e os elétricos passaram a acelerar em ritmo mais forte nos últimos meses. Isso muda o perfil da frota segurada e exige adaptação gradual das seguradoras, oficinas e operações de precificação”, avalia Emir Zanatto, head de Seguros da Serasa Consumidor.
O que isso significa para o investidor
A reconfiguração da frota nacional impulsiona demandas por novas linhas de produtos e especialização na rede de credenciados. Para o mercado de capitais, a tendência sinaliza potencial de crescimento para seguradoras que investirem em parcerias com fabricantes de veículos elétricos e na capacitação de oficinas parceiras, além de criar espaço para insurtechs focadas em análise de telemetria e dados de baterias. No curto prazo, a maior complexidade técnica e a escassez relativa de peças podem pressionar os custos de reparo, impactando a sinistralidade, indicador que mede as perdas pagas em relação aos prêmios recebidos.
Fatores de Atenção e Riscos
- Custo de reparo elevado: a taxa de 3,7% para elétricos reflete, por enquanto, a dependência de importação de componentes e a menor capilaridade de centros de manutenção qualificados.
- Volatilidade de precificação: seguradoras precisarão recalibrar tabelas atuariais à medida que a frota envelhecer e o custo de peças for normalizado.
- Risco regulatório e logístico: atrasos na homologação de novas oficinas credenciadas ou na liberação de peças podem elevar o tempo de reparo e os custos operacionais do setor.
Perspectiva e próximos passos: O mercado deverá acompanhar se a taxa de seguro para veículos totalmente elétricos convergirá para patamares mais competitivos conforme a escala de produção aumentar e a infraestrutura de serviços se consolidar. A divulgação dos próximos dados do IPSA e as vendas mensais reportadas pela Fenabrave servirão como termômetro para a velocidade dessa adaptação no Brasil.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
