Em ano marcado pela Selic persistente a 15%, o setor imobiliário brasileiro alcançou marcos inéditos, registrando 453.005 unidades residenciais lançadas em 2025, segundo dados da CBIC. Esse volume representa aumento de 10,6% na comparação anual, enquanto o VGL (Valor Geral Lançado) atingiu R$ 292,3 bilhões. A surpresa veio do escoamento do estoque - 9,8 meses de oferta, patamar considerado saudável mesmo com 347.013 unidades disponíveis ao final do período.
Lançamentos atendem demanda aquecida
| Ano | Unidades lançadas | Crescimento anual | VGL (R$ bilhões) |
|---|---|---|---|
| 2024 | 409.677 | - | 263,6 |
| 2025 | 453.005 | +10,6% | 292,3 |
A expansão ocorreu mesmo diante do encarecimento do crédito, com Celso Petrucci, economista do Secovi-SP e conselheiro da CBIC, atribuindo o resultado ao "reflexo direto da demanda sustentada". Do total lançado, MCMV (Minha Casa Minha Vida) representou 50,5% das novas unidades, com destaque para as regiões Norte e Nordeste, onde responde por 69% e 50% do mercado respectivamente.
Vendas atingem patamar recorde
| Região | Unidades vendidas | Participação (%) |
|---|---|---|
| Sudeste | 220.087 | 51,6% |
| Sul | 89.769 | 21% |
| Nordeste | 80.111 | 18,8% |
| Centro-Oeste | 23.540 | 5,5% |
| Norte | 12.753 | 3% |
As vendas alcançaram 426.260 unidades (volume 5,4% superior a 2024), com VGV (Valor Geral de Vendas) consolidado em R$ 264,2 bilhões. O 4º trimestre destoou por registrar 109 mil novos contratos, melhor trimestral na série histórica, sustentando o ritmo de comercialização de unidades MCMV, que cresceu 15,9% no período, com escoamento mais ágil (7,9 meses).
Estoques mantidos em equilíbrio
| Período | Estoque (unidades) | Tempo de escoamento |
|---|---|---|
| Q4 2025 | 347.013 | 9,8 meses* |
| Q4 2024 | n/d | 9 meses |
| Q2 2025 | n/d | 8,3 meses |
| Crise 2016-2017 | n/d | 30 meses |
* Maior patamar desde o 4º trimestre de 2023, mas considerado "relativamente saudável" por Fábio Tadeu Araújo, diretor da Brain Inteligência Estratégica.
Valorização desacelera mas segue acima da inflação
Enquanto o IPCA apontou variação de 4,26%, os imóveis residenciais medidos pelo IGMI-R da FGV/Abecip acumularam valorização de 18,6% nos 12 meses encerrados em 2025. O descolamento, iniciado em 2024, indica "ganho real para investidores" conforme destacou Petrucci, ainda que o preço médio das unidades MCMV se mantenha em torno de R$ 202,5 mil.
O que isso significa para o investidor
Para investidores atentos ao setor imobiliário, os dados sugerem continuidade de tendências observadas em 2025. O mercado enfrenta dois vetores positivos: expectativa de corte na Selic em 2026 e o expansionismo do MCMV, com meta de 3 milhões de novas unidades até dezembro. Enquanto isto, a previsão da Abecip de crescimento de 16% no funding via SBPE e mercado de capitais reforça as perspectivas de recuperação do fluxo de caixa para players do setor. A pressão sobre preços, contudo, deve persistir em desacordo com indicadores macro, exigindo atenção ao ajuste de valorizações frente a possíveis mudanças na política monetária.
Riscos
- Demora no ajuste da Selic, mantendo custo de financiamento elevado
- Desgaste do programa MCMV diante do atual contexto fiscal
- Excesso progressivo de estoques em determinadas regiões
Perspectiva e Próximos Passos
Investidores devem acompanhar as metas oficiais de expansão do MCMV, o andamento da reestruturação do SBPE e os dados de vendas nos primeiros trimestres de 2026, que indicarão a efetiva consolidação da retomada.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
