A SLC Agrícola (SLCE3) concluiu nesta sexta-feira (30) o pagamento da compra do portfólio de imóveis rurais conhecido como Bloco Mato Grosso, que pertencia ao Grupo Radar. A transação somou R$ 669,04 milhões, com desembolso final de R$ 413,89 milhões — e o preço embutido na terra nua, de aproximadamente R$ 72,3 mil por hectare, é o número que dá escala ao negócio, conforme o comunicado ao mercado.

A aquisição reforça o banco de terras da companhia com 8,9 mil hectares efetivamente agricultáveis. O valor, porém, está concentrado no ativo bruto: a infraestrutura já instalada respondeu por apenas R$ 24,9 milhões. Na prática, o retorno dessa compra tende a depender menos de benfeitorias e mais da produtividade das lavouras e do preço das commodities que saírem dali.

A operação foi anunciada em julho deste ano e recebeu aprovação sem restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a autoridade antitruste brasileira. Com o pagamento encerrado, a aquisição deixa de ser um anúncio e passa a pesar no fluxo de caixa.

Os 11,1 mil hectares e o que fica fora da área produtiva

Do perímetro total, cerca de 8,9 mil hectares são agricultáveis e destinados à produção agrícola. Os 2,2 mil hectares restantes não geram receita agrícola direta: reúnem Reserva Legal, Áreas de Preservação Permanente (APPs) — faixas de vegetação nativa que a legislação obriga a manter intactas —, estradas internas e áreas de sede. A divisão importa porque o preço por hectare divulgado se refere à parcela produtiva, não ao perímetro inteiro.

  • 11,1 mil hectares no total, dos quais 8,9 mil agricultáveis
  • R$ 644,1 milhões pela terra nua útil e agricultável
  • R$ 24,9 milhões pela infraestrutura existente, conforme laudo de avaliação
  • R$ 72,3 mil por hectare de terra nua, aproximadamente

Escrow na assinatura e a liberação final em outubro

O pagamento foi dividido em duas etapas. A primeira, de R$ 255,15 milhões, ficou depositada em uma conta vinculada (escrow) — um tipo de conta-cofre em que o dinheiro permanece retido até que as obrigações do contrato sejam cumpridas — na assinatura do acordo. A segunda, de R$ 413,89 milhões, foi liberada nesta sexta-feira, depois do cumprimento das condições precedentes, as exigências contratuais que precisam ser atendidas antes do desembolso definitivo.

EtapaValorMomento
Primeira parcela, em escrowR$ 255,15 milhõesassinatura do acordo
Parcela finalR$ 413,89 milhões30 de outubro de 2026, após as condições precedentes
TotalR$ 669,04 milhões—

O que a conclusão muda para quem acompanha SLCE3

A operação troca incerteza contratual por risco de execução. Com o aval do Cade e as condições precedentes atendidas, não há mais gatilhos pendentes no contrato; resta o trabalho de converter 8,9 mil hectares em produção e diluir o custo por hectare ao longo das safras. Áreas recém-compradas tendem a levar mais de um ciclo agrícola para atingir o potencial produtivo, o que costuma empurrar o retorno do desembolso para a frente.

O caixa de R$ 413,89 milhões concentrado no fim de outubro tende a ser o item mais visível do fluxo de investimento no fechamento do exercício. A estrutura de capital por trás do pagamento — caixa próprio, dívida ou uma combinação das duas — tende a aparecer nos próximos relatórios trimestrais da companhia.

O preço de R$ 72,3 mil por hectare de terra nua também funciona como parâmetro de comparação para eventuais expansões futuras: é a referência de custo que o investidor passa a ter para medir se novas aquisições saem caras ou baratas em relação a esta. Acompanhar a evolução da área plantada e da produtividade nas próximas safras é o que vai dizer se o valor pago se confirma no campo.