A SLC Agrícola S.A. (B3: SLCE3; ADRs: SLCJY) anunciou, em 8 de julho de 2026, a celebração de um acordo definitivo com o Grupo Radar para a aquisição de parte do portfólio imobiliário rural conhecido como “Bloco Mato Grosso”. A transação, avaliada em R$ 669,04 milhões, visa resolver de forma consensual a concorrência simultânea pelo direito de preferência entre arrendatários e garante à companhia a compra de 8,9 mil hectares agrícolas localizados em Mato Grosso.
Estrutura de pagamento e valuation
O valor total inclui a infraestrutura operacional já instalada no local (silos, unidade de beneficiamento de algodão e outras benfeitorias), orçada em R$ 29,7 milhões. Ao isolar a terra nua útil, o montante dedicado ao solo é de R$ 639,32 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 72 mil por hectare agrícola, refletindo o prêmio por áreas com histórico produtivo consolidado.
O fluxo de caixa da operação foi estruturado em duas etapas:
- Primeira parcela: R$ 255,15 milhões, depositados na assinatura em uma conta escrow (conta vinculada que retém os valores até o cumprimento das obrigações contratuais);
- Saldo remanescente: R$ 413,89 milhões, com pagamento programado até 30 de outubro de 2026.
A efetivação do negócio depende de condições precedentes, incluindo, se aplicável, a análise e aprovação pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, responsável pela política de concorrência no Brasil), além da assinatura dos documentos definitivos.
Continuidade operacional e renegociação de arrendamentos
O Bloco Mato Grosso originalmente possuía cerca de 41,2 mil hectares físicos (28 mil agricultáveis). Com a partilha negociada entre as partes, a SLC Agrícola assegurou a continuidade de suas operações de rotação de culturas (soja, milho e algodão) que já eram realizadas na região.
Dos 17,6 mil hectares que a empresa já arrendava:
- 8,9 mil hectares passam a integrar o patrimônio definitivo da SLC Agrícola;
- 8,7 mil hectares permanecerão em regime de aluguel, garantindo escala sem interrupção da safra.
A titularidade das áreas que seguirão arrendadas foi transferida para a Santa Maria Holding Ltda.. A SLC já formalizou a recontratação de 2,5 mil hectares por um novo prazo de 15 anos, com vigência a partir do fim da safra 2026/27. O custo foi indexado a commodities, fixado em 19,5 sacos por hectare. Os contratos remanescentes (5,3 mil ha até 2029/30 e 0,9 mil ha até 2026/27) seguem válidos conforme cronograma original.
O que muda para investidores
Para o mercado financeiro, o acordo traz previsibilidade sobre a estratégia de expansão fundiária e a alocação de capital da SLC Agrícola (SLCE3) em uma das regiões mais produtivas do agronegócio brasileiro. O preço de R$ 72 mil/ha sinaliza a aquisição de ativos com infraestrutura pronta, reduzindo o capex (despesas de capital) futuro para adequação operacional.
Do ponto de vista financeiro, o uso de conta escrow mitiga o risco de inadimplência até a quitação final, enquanto o pagamento parcelado até outubro exige disciplina de caixa. A indexação dos novos aluguéis a 19,5 sacos/ha alinha automaticamente os custos operacionais à receita de venda das commodities, servindo como um hedge natural contra volatilidade de preços.
A manutenção da operação contínua e a renovação de longo prazo com a nova proprietária reforçam a visibilidade de receita e a resiliência do portfólio. Investidores devem acompanhar o registro dos documentos definitivos e o eventual parecer do CADE para a contabilização dos ativos no balanço e a atualização das projeções de fluxo de caixa nos próximos relatórios trimestrais.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
