A SLC Agrícola S.A. (B3: SLCE3) anunciou nesta quinta-feira (9) a celebração de um acordo com o Grupo Radar para a aquisição de parte do portfólio de imóveis rurais conhecido como “Bloco Mato Grosso”. A operação, que soma R$ 669.040.691,64, garante à companhia 8,9 mil hectares de área agricultável e visa consolidar sua base de produção no estado.
Detalhes da Transação e Condições de Pagamento
O valor total da negociação contempla não apenas a terra nua útil, mas também a infraestrutura já instalada nas propriedades, como silos, unidade de beneficiamento de algodão (algodoeira) e outras benfeitorias operacionais, estimadas em R$ 29,7 milhões. Após descontar essa infraestrutura, o valor da terra agricultável fica em aproximadamente R$ 72 mil por hectare.
O pagamento será estruturado em duas etapas:
- Entrada: R$ 255.153.999,97, depositados em conta vinculada (escrow) na assinatura do contrato. O escrow é um mecanismo que retém o valor até o cumprimento de condições específicas, protegendo ambas as partes.
- Saldo: R$ 413.886.691,67, com vencimento até 30 de outubro de 2026.
A concretização do negócio está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), caso aplicável, e a outras formalidades previstas nos documentos definitivos.
Negociação e Manutenção de Contratos
Inicialmente, o Bloco Mato Grosso envolvia cerca de 41,2 mil hectares físicos, sendo 28 mil hectares agricultáveis. A SLC Agrícola exercitou seu direito de preferência para a compra da totalidade. No entanto, como outros arrendatários também acionaram esse direito simultaneamente, as partes iniciaram negociações que resultaram na divisão consensual da área entre os compradores interessados.
No novo arranjo, além dos 8,9 mil hectares que a SLC passará a deter em propriedade própria, a companhia manterá a operação em outros 8,7 mil hectares por meio de contratos de arrendamento. Desse total, 5,3 mil hectares seguem contratados até a safra 2029/2030 e 0,9 mil até a safra 2026/2027. Já os 2,5 mil hectares restantes foram recontratados com a nova proprietária da área, a Santa Maria Holding Ltda., por mais 15 anos a partir do fim da safra 2026/2027, com custo fixado em 19,5 sacas por hectare.
O que muda para investidores
A transação reflete a estratégia de longo prazo da SLC Agrícola de aumentar sua base de terras próprias, prática conhecida no agronegócio como land banking. Isso reduz a exposição a reajustes agressivos em aluguéis e garante maior previsibilidade para o plantio de soja, milho e algodão. A manutenção dos contratos de arrendamento assegura que não haverá interrupção na colheita nem perda de escala operacional.
Para o fluxo de caixa, o desembolso de R$ 669 milhões será parcelado, exigindo um planejamento financeiro alinhado ao cronograma de pagamento até outubro. A eventual aprovação pelo Cade pode definir o ritmo final do negócio, mas a divisão da área com outros arrendatários tende a facilitar o crivo antitruste. Investidores devem acompanhar os próximos comunicados sobre a formalização dos documentos definitivos e a liberação dos recursos.
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