A SLC Agrícola (B3: SLCE3; ADR: SLCJY) formalizou um acordo definitivo com o Grupo Radar para a aquisição de 8,9 mil hectares agricultáveis no estado do Mato Grosso. Anunciado como fato relevante na noite desta quarta-feira (8/7), o negócio visa consolidar a posição da companhia no principal polo de grãos do país, após um processo de negociação que envolveu o exercício concorrente do direito de preferência por diferentes arrendatários da área conhecida como "Bloco Mato Grosso".

Valor da operação e estrutura de pagamento

O valor total da transação foi fixado em R$ 669.040.691,64. Desse montante, R$ 29,7 milhões referem-se à infraestrutura instalada (incluindo silos e uma unidade de beneficiamento de algodão), restando R$ 639,3 milhões para a terra nua útil. Isso coloca o preço médio do solo agricultável em aproximadamente R$ 72 mil por hectare.

O pagamento será realizado em duas etapas, com condições de liquidez planejadas:

  • Primeira parcela (entrada): R$ 255.153.999,97, a ser depositada em conta vinculada (escrow, conta de garantia gerida por terceiro) na assinatura do contrato;
  • Saldo restante: R$ 413.886.691,67, com vencimento concentrado em 30 de outubro de 2026.

A operação ainda está sujeita a condições precedentes, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), quando aplicável, e demais formalizações previstas nos documentos definitivos.

Continuidade operacional e modelo de arrendamento

Antes da compra, a SLC Agrícola já operava 17,6 mil hectares da mesma região por meio de contratos de arrendamento, produzindo soja, milho e algodão em sistema de rotação e safrinha. Com a nova aquisição, a empresa passa a deter a propriedade de 8,9 mil hectares, enquanto os 8,7 mil hectares restantes seguirão sob regime de locação, agora com a Santa Maria Holding Ltda., nova proprietária das demais terras.

A estrutura de arrendamento foi mantida e atualizada da seguinte forma:

  • 5,3 mil hectares: contratos vigentes até a safra 2029/30;
  • 0,9 mil hectares: vigentes até a safra 2026/27;
  • 2,5 mil hectares: serão recontratados com a nova proprietária por mais 15 anos, após o vencimento do contrato atual, a um custo indexado a 19,5 sacos de grãos por hectare.

O que muda para investidores

Para o mercado, a transação reforça a tese de expansão orgânica do parque produtivo da SLC Agrícola, garantindo controle direto sobre uma fração relevante de terras de alta qualidade no Mato Grosso. A inclusão de ativos logísticos e de processamento na compra pode trazer ganhos de eficiência e redução de custos operacionais de longo prazo, além de mitigar riscos de dependência de terceiros.

Do ponto de vista financeiro, a estrutura de pagamento com entrada em conta escrow e saldo no quarto trimestre de 2026 oferece um fôlego de caixa à companhia para organizar a captação de recursos (dívida ou geração operacional). Investidores devem monitorar de perto o andamento da aprovação regulatória e o impacto da nova despesa de arrendamento (indexada ao preço da commodity) nas margens das safras futuras, em um cenário que exige gestão atenta de custos e volatilidade nos preços de grãos.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.