A SLC Agrícola (B3: SLCE3 / ADRs: SLCJY) anunciou nesta terça-feira (8) a celebração de um acordo com o Grupo Radar para a aquisição de parte do portfólio imobiliário rural conhecido como 'Bloco Mato Grosso'. A operação, no valor total de R$ 669,04 milhões, visa compor consensualmente o direito de preferência que a companhia já havia exercido para a totalidade da área. Devido à concorrência de outros arrendatários, as partes negociaram a segregação do bloco, garantindo à SLC a compra de 8,9 mil hectares agricultáveis.
Valores, infraestrutura e estrutura de pagamento
O montante da transação contempla não apenas a terra nua, mas também a infraestrutura operacional já instalada, como silos e uma algodoeira (unidade de beneficiamento). O valor da infraestrutura é estimado em R$ 29,7 milhões, o que leva o custo efetivo da terra útil a R$ 639,3 milhões — aproximadamente R$ 72 mil por hectare agricultável.
O desembolso será dividido em duas etapas:
- Primeira parcela de R$ 255,15 milhões, paga na assinatura e depositada em conta vinculada (escrow).
- Saldo de R$ 413,88 milhões, com vencimento previsto para 30 de outubro de 2026.
A conclusão do negócio está sujeita a condições precedentes, incluindo eventual aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Continuidade operacional e novos contratos
Atualmente, a SLC já opera 17,6 mil hectares da região no sistema de rotação de culturas (soja, milho e algodão) e com segunda safra. Com a aquisição de 8,9 mil hectares, a companhia manterá o arrendamento dos demais 8,7 mil hectares sob novas condições:
- 5,3 mil hectares permanecem em contrato até a safra 2029/2030;
- 0,9 mil hectare vão até a safra 2026/2027;
- 2,5 mil hectares serão renegociados com a nova proprietária, a Santa Maria Holding Ltda., por mais 15 anos após o fim da safra 2026/2027, a um custo de 19,5 sacas por hectare.
O que muda para investidores
O movimento consolida o landbank da SLC no Mato Grosso, um dos principais polos de produção de grãos e algodão do Brasil. Ao transformar parte do arrendamento em propriedade própria, a companhia reduz a exposição a reajustes futuros de arrendamento e ganha previsibilidade operacional de longo prazo. O pagamento via conta vinculada e o saldo parcelado mitigam o impacto imediato no fluxo de caixa no curto prazo. Investidores devem acompanhar o trâmite junto ao CADE e a integração das novas áreas, que devem reforçar a escala e a margem operacional da companhia nas próximas safras.
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