Duas trocas e a mesma régua de peso: o Itaú BBA substituiu Yduqs (YDUQ3) e Pague Menos (PGMN3) por Smart Fit (SMFT3) e OceanPact (OCPT3) na carteira recomendada de small caps — as companhias de menor capitalização na B3 — válida para novembro de 2026. As dez posições da seleção seguem com 10% de peso cada, sem concentração em um único nome.

A troca reduz a dependência de setores sensíveis à renda e ao emprego no mercado interno, caso de educação privada e varejo farmacêutico, e abre espaço para receitas ancoradas em outras economias e em commodities. Como cada posição pesa 10%, as duas substituições movimentam 20% da cesta. A estrutura, porém, não muda: dez papéis, divisão igualitária, o que limita o estrago de um erro isolado e, na mesma medida, impede que um acerto carregue o resultado sozinho.

Dez posições e 10% para cada: a formação de novembro

EmpresaTickerSituação
Smart FitSMFT3Entrou
OceanPactOCPT3Entrou
SLC AgrícolaSLCE3Permanece
PanvelPNVL3Permanece
OrizonORVR3Permanece
LOGLOGG3Permanece
IraniRANI3Permanece
FleuryFLRY3Permanece
3tentosTTEN3Permanece
IguatemiIGTI11Permanece

Yduqs e Pague Menos deixam a cesta: a primeira vinha do ensino privado, a segunda, do varejo farmacêutico. Smart Fit e OceanPact passam a ocupar essas fatias, preservando o desenho de pesos iguais adotado pela casa. Uma carteira assim funciona como termômetro do que a instituição considera mais descontado entre as empresas de menor liquidez — e é essa sinalização, mais do que a lista em si, que costuma interessar a quem acompanha o segmento.

Smart Fit: a fatia do resultado que o câmbio ajuda a inflar

O Itaú BBA lista três razões para a entrada da rede de academias: dispersão geográfica dos negócios, crescimento de natureza estrutural e menor amarração ao desempenho da economia brasileira. A operação em outros países da América Latina já responde por parte relevante do resultado, e a desvalorização do real — a perda de valor da moeda brasileira frente às demais — tende a inflar, na conversão para reais, aquilo que a companhia apura fora do país. O TotalPass aparece no material da casa como frente adicional de expansão e de ganho de escala.

OceanPact: a sinergia com a CBO tem data para começar

A segunda novidade amplia o espaço de petróleo e gás na cesta, em um momento de preços sustentados da commodity, na avaliação da instituição. O relatório do Itaú BBA sustenta que a prestadora de serviços marítimos tende a se beneficiar da demanda do setor e das sinergias da combinação com a CBO, que devem começar a aparecer a partir do segundo trimestre de 2027.

O que a rotação muda para quem acompanha small caps

Para quem carrega small caps, o efeito direto é de perfil de risco. A cesta fica menos refém de decisões de consumo e de crédito dentro do Brasil — vetores que costumam pesar sobre educação e farmácia — e passa a embutir variáveis externas: câmbio, no caso da Smart Fit, e preço do petróleo, no da OceanPact. Commodity em alta ajuda; em queda, cobra o preço na mesma proporção.

O prazo é o segundo ponto de atenção. Parte do argumento da OceanPact depende das sinergias com a CBO, que a própria casa projeta para depois do primeiro semestre de 2027 — o mercado só terá números para conferir a tese adiante. Já a Smart Fit carrega exposição cambial que joga a favor quando o real se desvaloriza, porque a conversão dos resultados latino-americanos para reais melhora.

A seleção é uma carteira recomendada do Itaú BBA, com pesos definidos pela casa, e não um sinal de momento para entrar ou sair de small caps. Os próximos balanços trarão duas verificações: a evolução da receita internacional da Smart Fit e o ritmo de captura das sinergias da OceanPact com a CBO a partir de 2027.