As ações da Smart Fit (SMFT3) negociam atualmente por aproximadamente 9 vezes o lucro projetado para 2027, representando o múltiplo de valuation mais baixo registrado desde a oferta pública inicial (IPO, processo de listagem de ações em bolsa pela primeira vez). Casas de análise identificam que o mercado já absorveu as tensões sobre o modelo de academias físicas, mas mantém o potencial de geração de caixa da plataforma digital em segundo plano, criando uma assimetria relevante para leitura de valor.
Revisão de Projeções e Métricas de Valuation
O Itaú BBA reiterou recomendação de compra e manteve a meta em R$ 35, elevando as estimativas de lucro líquido para R$ 964 milhões em 2026 e R$ 1,249 bilhão em 2027. Os ajustes correspondem a alta de 6% e 10% frente aos cálculos anteriores, ficando 2% e 1% acima do consenso de mercado. O Bradesco BBI acompanha o tom otimista, sustentando recomendação de compra com preço-alvo de R$ 30. As revisões refletem expectativas mais robustas para o crescimento e as margens do TotalPass no território nacional, somadas a um resultado financeiro aprimorado por ações de reestruturação de passivos da companhia.
| Instituição | Recomendação | Preço-Alvo | Lucro Líq. 2026 (Est.) | Lucro Líq. 2027 (Est.) |
|---|---|---|---|---|
| Itaú BBA | Compra | R$ 35 | R$ 964 milhões | R$ 1,249 bilhão |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 30 | - | - |
Assimetria Geográfica e a Contribuição Real do TotalPass
Os balanços anuais com dados de lojas maduras revelam um panorama regional distinto. As operações mexicanas seguem pressionadas, enquanto demais países latino-americanos exibem trajetória sólida. O Brasil consolida-se como motor de resultados, expandindo margens ano a ano mesmo com cenário macroeconômico menos benigno. A leitura do Itaú BBA pontua que a avaliação correta do TotalPass exige somar os repasses por check-in à parcela de receitas e lucro bruto registrada na linha “Outros Brasil”. Esse ajuste metodológico demonstra indicadores domésticos mais resilientes do que a simples observação dos repasses diretos. A sustentação do modelo dependerá da manutenção de retornos elevados sobre o capital investido (ROIC, métrica que mede a eficiência da empresa em gerar lucro a partir dos recursos aplicados em seu negócio), condição essencial para atrair investidores estrangeiros, que hoje possuem participação reduzida frente ao peso significativo de investidores locais. Dados setoriais de maio reforçam a leitura construtiva, apontando avanço consistente na expansão física e sinais positivos na estratégia de precificação, ainda que em ambiente competitivo.
O que isso significa para o investidor
Para o aplicador pessoa física, a precificação atual sugere que riscos de concorrência e canibalização já estão descontados, abrindo espaço para observação da execução da estratégia digital. Em um ambiente de taxa Selic (taxa básica de juros da economia, que balisa o custo do crédito e o retorno da renda fixa) em patamar elevado, companhias com receita recorrente e poder de ajuste tarifário oferecem proteção relativa ao patrimônio. O cenário otimista depende da aceleração da base de assinantes digitais sem erosão das margens físicas. No extremo oposto, uma desaceleração no consumo das classes médias e a persistência de guerras de preços regionais podem limitar o upside. A melhora nos indicadores de densidade (relação entre base ativa e capacidade instalada por unidade) e canibalização (efeito de uma nova academia capturar demanda já atendida por outras da mesma rede na mesma região) aponta para uma expansão mais disciplinada, alinhando o ciclo de investimentos aos ganhos de rentabilidade.
Fatores de Risco e Monitoramento
- Intensificação da concorrência local e efeito de canibalização sobre unidades maduras, pressionando o ticket médio e a ocupação.
- Continuidade do desempenho abaixo do esperado nas operações mexicanas, que arrastam a rentabilidade consolidada.
- Velocidade de conversão e retenção de usuários no TotalPass diante da saturação de ofertas de fitness digital.
- Sensibilidade da estrutura de custos a variações cambiais e ajustes tarifários em mercados internacionais.
A validação das projeções elevadas dependerá da evolução dos indicadores de densidade por academia, da transparência nos dados de churn (taxa de cancelamento de assinaturas) do modelo digital e da comprovação da disciplina na abertura de novas unidades nos próximos relatórios trimestrais. A reprecificação das ações exige excelência operacional contínua e a materialização dos ganhos de eficiência financeira já iniciados pela gestão de passivos.
